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Dito e Feito

Teatro do Bairro Alto
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    #84 Estados simbióticos: Uma conversa entre Joana Levi e Zoy Anastassakis

    27/10/2026 | 41 min
    Como é que a gente aprende a ver? É uma das perguntas que atravessam esta conversa entre Joana Levi e Zoy Anastassakis, antropóloga que fez parte do processo criativo de "Câncer em Saturno", a terceira e última peça da trilogia de performances de Joana sobre as relações do humano com o mundo não humano. Para responder, Joana volta às duas peças que a antecedem. "Rasante" nasceu no âmbito do Terra Batida, e foi uma residência no Alentejo que a levou a olhar para as aves com outra atenção. Em Primárias e Exóticas, a pesquisa foi para a história das florestas em Portugal. Em ambas, Joana percebe que acaba sempre a investigar relações coloniais, seja entre humanos, seja entre a vida humana e a vida da natureza, animal e vegetal.

    Em "Câncer em Saturno", o olhar vira-se para dentro e para cima. Joana parte da experiência do cancro da mama e da observação do próprio corpo, sujeito a terapia hormonal para combater um tumor, para pôr o universo celular em conversa com leituras astrológicas e astronómicas. Para encontrar um contínuo entre a visão micro e a visão macro, comprou um microscópio e um telescópio, e fez quatro residências de pesquisa com o microbiólogo Álvaro Fonseca, o filósofo André Barata, a astróloga Angélica Ferroni, o astrofísico Pedro Machado e a própria Zoy.

    Do ponto de vista de duas cariocas que vivem e criam em Lisboa, a conversa chega a uma ideia que fica: em "Câncer em Saturno", o chão de Joana é o seu corpo.

    https://teatrodobairroalto.pt/pt/evento/cancer-em-saturno

    Joana Levi nasceu no Rio de Janeiro em 1975 e vive em Lisboa desde 2017. É licenciada e pós-graduada em Filosofia e Estética. Performer, encenadora e dramaturga, trabalha entre a live art, o teatro, a dança e a filosofia, muitas vezes em autoria partilhada, e colaborou recentemente com Carlota Lagido, Sónia Baptista, Rita Natálio, João dos Santos Martins, Gustavo Ciríaco e Julia Salem, entre outros. No Brasil, criou Museu Encantador, com Rita Natálio (Prémio Funarte de Artes Visuais), Rózà, com Martha Kiss (Prêmio Zé Renato de Teatro), e In_Trânsito, com a Companhia Marginal. Há mais de 20 anos pesquisa as ligações entre corpo, imaginação, perceção sensorial e dramaturgia. Rasante, Primárias e Exóticas e Câncer em Saturno formam a sua trilogia sobre as relações do humano com o mundo não humano.

    Zoy Anastassakis é antropóloga e académica brasileira, com formação inicial em design, mestrado e doutoramento em antropologia. Tem dividido o seu tempo entre o Rio de Janeiro e Lisboa. É professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro desde 2012, onde dirigiu a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) entre 2016 e 2018 e lidera um grupo de pesquisa que cruza design e antropologia. Na ESDI, coordenou o projeto de extensão Correspondências, que pôs em diálogo artistas indígenas, investigadores, estudantes e investigadores de design. Em 2017 foi investigadora visitante na Universidade de Aberdeen, num projeto liderado por Tim Ingold, e fez pós-doutoramento em Lisboa entre 2019 e 2020, como membro do CRIA. É autora de Triunfos e Impasses (2014), Refazendo Tudo (2020) e Everyday Acts of Design (2022, com Marcos Martins).

    Conversa com Joana Levi e Zoy Anastassakis
    Edição: Joana Linda
    Produção: Teatro do Bairro Alto
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    #83 Uma conversa entre David Cabecinha e Cleo Diára

    06/10/2026 | 47 min
    Neste episódio, David Cabecinha e Cleo Diára conversam sobre o ato (ou atos) de programar e as implicações de escolhas que constroem programas e abrem mundos. Com as experiências partilhadas ancoradas no Alkantara Festival – no contexto do qual Cleo Diária apresentará a sua mais recente criação no TBA –, lançam, para cima da mesa, temas como a sustentabilidade de projetos e a circulação nacional, as formas possíveis de alargamento de escolhas e de propostas, a visibilidade de diferentes linguagens, a censura e o branqueamento.

    Neste episódio, evoca-se o espetáculo Aurora Negra (TNDMII, 2020) e Kilombo (Alkantara, 2021) “um lugar de reunião, resistência, onde a comunidade se nutre, partilha e cuida (…) um lugar de força e libertação” programa desenhado por Cleo Diára, Nádia Yracema e Isabél Zuaa, as interpretes de Aurora Negra, para o festival alkantara.
    Bios

    David Cabecinha é codiretor artístico do Alkantara desde 2018, associação cultural e festival internacional de artes performativas com sede em Lisboa, Portugal. O seu trabalho curatorial desenvolve-se a partir de um diálogo continuado com artistas e de projetos de cooperação internacional que reforçam os ecossistemas artísticos. A partir de uma prática assente no pensamento crítico e no compromisso com a pluralidade, procura criar espaços onde diferentes práticas artísticas, públicos e comunidades se possam encontrar, reconhecer e imaginar em conjunto formas de estar e de conviver. Entre 2016 e 2017, foi diretor artístico do Temps d’Images Lisboa. Trabalha nas áreas do teatro e do cinema desde 2008 como dramaturgista, coargumentista, ator, produtor e assistente de realização. É licenciado em Teatro – Formação de Atores pela Escola Superior de Teatro e Cinema.

    Cléo Diára nasceu em 1987, na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Desde 2015 tem participado como intérprete em diversos espetáculos de encenadores nacionais, como Mário Coelho, Mónica Calle, Pedro Baptista, Rogério Carvalho e Sónia Baptista. Em 2020, foi distinguida com a Bolsa Amélia Rey Colaço para a criação do espetáculo Aurora Negra, com Isabél Zuaa e Nádia Yracema. Desde então, o coletivo Aurora Negra criou Cosmos (Teatro Nacional D. Maria II, 2022) e Missão da Missão (Teatro do Bairro Alto, 2023). Em 2025, recebeu o prémio de Melhor Atriz na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, pela interpretação em O Riso e a Faca, de Pedro Pinho. Em 2026 foi selecionada para o programa European Shooting Stars.

    Conversa com David Cabecinha e Cleo Diára
    Gravado no Louva-a-deus, em Lisboa
    Edição: Joana Linda
    Produção: Teatro do Bairro Alto
  • Dito e Feito

    #82 Uma conversa entre Luísa Saraiva e Vicente Mateus

    29/09/2026 | 44 min
    Neste episódio, Vicente Mateus e Luísa Saraiva conversam sobre o processo criativo de Agora baixou o sol, o terceiro espetáculo de uma trilogia de coreografias sonoras, que exploram o corpo como um instrumento musical ressonante e os processos físicos e viscerais através dos quais o som é produzido, sustentado e transformado. Bocarra e Tirana completam este conjunto de espetáculos, tendo este último já sido apresentado no TBA em 2023.

    O que significa explorar os limites da voz feminina em português? Por que razão em Portugal se canta de determinada maneira? É a partir destas perguntas que Luísa se tem dedicado à música do nordeste português e à música das beiras, trabalhando sobre a polifonia e sobre a forma como o canto quer ir além da respiração.
    Luísa interessa-se pelo corpo que canta e como a paisagem, o afeto, o trabalho ou as vivências afetam na forma de cantar. Com o músico Vicente Mateus, olham para o corpo e o movimento como matéria de trabalho, explorando como pode a dança ajudar a compreender o corpo que canta.

    Para este episódio, Luísa traz o Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas de António Maria Mourinho (1984), Les Chants du Pain Trás-os-Montes de Anne Caufriez (1997) e Portugal de Rodney Gallop (1936) como exemplo de referência para a sua trilogia.

    Vicente Mateus vive e trabalha entre o Porto e Den Haag, desenvolvendo um percurso situado entre as artes plásticas, o som e o desenho, com especial foco na percussão, enquanto espaços de construção performativa e exploração sensorial. O seu trabalho cruza práticas colaborativas e processos de partilha, utilizando a repetição e o erro como ferramentas para a criação de objetos, sons e imagens. Desde 2022, integra a equipa da Sonoscopia, estrutura dedicada à criação, experimentação e reflexão a partir do som.

    Luísa Saraiva é coreógrafa e vive entre o Porto e Berlim. Estudou Psicologia na Universidade do Porto e Dança na Universidade de Artes Folkwang, em Essen. Na sua prática coreográfica, utiliza uma abordagem transdisciplinar na investigação do movimento, da linguagem e do som. Em 2019 fez parte do programa danceWEB, e na temporada 2019/2020 foi coreógrafa residente no K3 | Tanzplan Hamburg. Em 2022/2023 recebeu a bolsa Tanzpraxis da cidade de Berlim. No mesmo ano, apresentou o espetáculo Tirana no TBA e em 2025 desenvolveu o workshop de saúde mental nas artes performativas Burning on and on and on.

    Gravado na Sonoscopia no Porto
    Edição: Joana Linda
    Produção: Teatro do Bairro Alto
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    #81 Clube Espectador - uma conversa entre José Maria Vieira Mendes e Maria Sequeira Mendes

    21/04/2026 | 54 min
    Neste episódio, Maria Sequeira Mendes e José Maria Vieira Mendes conversam sobre o Clube Espectador, o projeto desenvolvido pelo Teatro do Bairro Alto, pela Rua das Gaivotas 6 e pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que ocupa a nossa Sala Manuela Porto periodicamente e convida o público a conversar sobre o espetáculo (mas sem artistas). Esta conversa revisita a origem da iniciativa, os seus objetivos e a forma como tem procurado transformar a experiência de assistir em algo mais livre, partilhado e coletivo.

    Maria Sequeira Mendes nasceu em Portalegre, em 1977. É professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi Beaufort visiting scholar em St John's College, na University of Cambridge, em 2017. Escreveu O Essencial sobre Hamlet (ICM, 2023), The Ordeals of Interpretation (IUC, 2020), O Desensino da Arte (com Marta Cordeiro e Marisa Falcon, Documenta, 2022), e coedita o site de poesia e crítica Jogos Florais e coeditou o livro Florilégio (não edições, 2023). É coordenadora do Clube Espectador.

    José Maria Vieira Mendes nasceu em Lisboa em 1974, onde vive. Também foi habitante do Porto, de Vila Meã, da Praia das Maçãs, de Saarbrücken, de Berlim, de Saint Nazaire, de Budapeste e de Altura. Escreve sobretudo peças de teatro. É membro do Teatro Praga desde 2008 e responsável pela direção artística da Rua das Gaivotas 6, em Lisboa. As suas peças foram traduzidas em mais de uma dezena de línguas. Faz também traduções literárias, escreveu dois libretos para ópera, dois livros para a infância e trabalha ocasionalmente com artistas plásticos. É professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e coordenador do Clube Espectador.

    Conversa com José Maria Vieira Mendes e Maria Sequeira Mendes
    Gravado no estúdio Louva-a-Deus
    Edição: Joana Linda
    Produção: Teatro do Bairro Alto
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    #80 Cire Ndiaye conversa com Kai Fernandes

    10/02/2026 | 33 min
    A propósito do workshop "E quando trabalho sobre o meu trauma? - Metodologias para trabalhar a partir de um lugar de violência ao estilo de Cire Ndiaye", Kai Fernandes, psicólogo e ativista, conversa com a artista e criadora Cire Ndiaye sobre as suas experiências, vivências e métodos para lidar com o trauma – coletivo e pessoal – e a romantização da superação e da resistência.
    Neste podcast, conversam sobre práticas e metodologias a que uma pessoa pode recorrer para encontrar bem-estar e conforto numa sociedade colonial e capitalista. Tocam assuntos como a perda de ancoragem ou a falta de ritual na sociedade ocidental, destacando a importância de procurar lugares seguros e estáveis num mundo sempre em movimento e mudança.

    Kai é psicólogo negro e trans dedicado a apoiar as comunidades racializadas e LGBTQIA+ no seu processo de cura. É ativista anti-racista e criador da African tour Porto. É autor da página de instagram @quotidianodeumanegra onde expressa as suas inquietudes.

    Cire Ndiaye é uma pessoa não-binária, miscigenada, violinista de formação clássica, atriz, performer, criadora, sonoplasta, taróloga, técnica de serviços funerários e estrela de rock. No dia 21 de fevereiro, no TBA, irá moderar o workshop “E quando trabalho sobre o meu trauma? - Metodologias para trabalhar a partir de um lugar de violência ao estilo de Cire Ndiaye”.

    Ficha Técnica
    Conversa com Cire Ndiaye e Kai Fernandes
    Edição: Joana Linda
    Produção: Teatro do Bairro Alto

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Acerca de Dito e Feito
Dito e Feito é um podcast do Teatro Bairro Alto em que falar é uma forma de fazer, e vice-versa. A sua periodicidade vai ser irregular. O formato também. Acompanhem-nos nas redes sociais e em teatrodobairroalto.pt ///// Dito e Feito (Said and Done) is a podcast by Teatro do Bairro Alto in which saying is a way of doing, and vice-versa. Its frequency is irregular. So is its format. Follow us on social media and at teatrodobairroalto.pt
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