Patrícia Teixeira de Abreu recebeu o diagnóstico de que a filha mais nova tinha dislexia um mês antes do Natal, como uma caixa com um laço encarnado, conta, com o seu sorriso tímido.
Confessa que num primeiro momento procurou desvalorizar a notícia, afinal as duas filhas mais velhas eram óptimas alunas, seguramente tudo passaria com o tempo. Mas quando abriu a caixa o que encontrou foi o sofrimento da Francisca, a auto-estima gasta pela dificuldade de tentar superar tantos obstáculos na escola, que afinal é onde se vai para aprender a ler e a escrever, exactamente as duas competências que a dislexia dificulta.
Formada em Economia pelo ISEG, e com muitos anos de experiência na área financeira em multinacionais, Patrícia está treinada para enfrentar e resolver problemas. E foi o que fez, começando por fundar o projecto Dislexia Day by Day, destinado a ajudar famílias e escolas a navegar o diagnóstico, as dificuldades e as conquistas que a dislexia traz. E a dizer bem alto, é de uma vez por todas, que a dislexia não é preguiça!
Música para os ouvidos da avó destas Birras, que cresceu com dislexia numa altura em que não se falava disso. E bombardeia Patrícia com perguntas, na tentativa de descobrir o que mudou desde o seu tempo, mas acima de tudo de saber como podem os pais, as escolas e as famílias ajudar estas crianças e adolescentes e, já agora, também dos mais velhos porque a dislexia não desaparece.
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