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- Está prestes a ser pai? Então, podemos assegurá-lo, com a segurança que a ciência nos dá, que o seu cérebro já começou a mudar e vai transformar-se mais ainda depois de o bebé nascer. Tanto mais quanto mais profundamente mergulhar na parentalidade, pegar ao colo e cuidar do bebé, porque estes ajustes neurológicos são também intensamente regulados pela experiência concreta.
Aqui pelas Birras de Mãe estamos fascinadas com um estudo sobre as alterações no cérebro dos pais divulgado num artigo da revista Economist. Sabe-se que “enquanto as mães perdem muita massa-cinzenta tanto no córtex, como nas estruturas subcorticais (como a amígdala e os centros de recompensa), as mudanças nos pais são quase todas confinadas ao córtex, com um encolhimento do cerebelo”. É tão engraçado constatar que, afinal, o “menos” significa mais – mais capacidade de se envolver e sentir gratificado no seu novo papel.
A responsabilidade é em grande parte das hormonas: na “gravidez” e depois do parto, os níveis de testosterona no homem baixam, levando a que se sintam mais calmos, mais sensíveis e mais inclinados a partilhar o cuidado do bebé com a mãe; baixam, igualmente, os da vasopressina, hormona correlacionada com a agressão e ligada ao impulso de “marcar território”.
Mas esta é apenas a ponta do iceberg — oiça a nossa Birra de hoje, e vai descobrir muito mais.
See omnystudio.com/listener for privacy information. Birras com... João Goulão: “Estou-me nas tintas que as pessoas usem drogas, não quero é que sofram”
08/10/2026 | 59 minDesde miúdo que João Goulão queria ser médico. Médico como o tio, um verdadeiro João Semana em Idanha-a-Nova, daqueles médicos que tanto arrancava dentes como fazia partos, e que o influenciou de tal maneira que aos cinco, seis anos já andava com uma caixinha de primeiros socorros quando ia jogar à bola com os amigos. Mas o que não sabia então era que a vida o ia levar pelo caminho das drogas – no melhor dos sentidos —, dedicando a sua carreira à prevenção e tratamento de dependências, sendo um dos principais autores da lei portuguesa da descriminalização do consumo, louvada e replicada internacionalmente.
Durante quase três décadas foi Coordenador Nacional do Combate à Droga, presidiu ao Conselho de Administração do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), foi director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), sob a alçada de mais de dez governos de diferentes quadrantes políticos, o que prova que se podem fazer birras sem chegar a um ponto de ruptura.
Pai de quatro filhos, e já avô, o nosso convidado deste episódio especial do Birras fala do passado e do presente dos consumos em Portugal, do papel das comissões de dissuasão na prevenção das dependências, mas também dos seus receios para o futuro — o isolamento dos jovens e a dificuldade que sentem nos relacionamentos sociais podem levar a um enorme sofrimento, terreno propício para que o procuremos esquecer através de substâncias ou comportamentos que a princípio aliviam, mas depressa escravizam.
Como podemos proteger os nossos filhos e netos? João Goulão acredita que protegeu os seus por falar abertamente de tudo isto. E escutar sem julgamento, qualidade que a avó destas Birras confessa ainda estar muito longe de possuir — mas com bons exemplos como este, talvez esteja um bocadinho mais perto de o conseguir.
See omnystudio.com/listener for privacy information.- Sabia que já em 2019, antes ainda da pandemia, andávamos a falar menos 4 mil palavras por dia do que duas décadas antes? E que os investigadores calculam que com o uso crescente de telemóveis e headphones essa perda seja muito maior?
O estudo indica que passámos de 16 mil palavras diárias para 12 mil, com uma incidência maior entre os mais jovens, mas os mais velhos não escapam, num total de menos 120 mil palavras por ano. E o seu autor, o psicólogo Mathias Mehl da universidade do Arizona, assegura que esta não é uma boa notícia.
Até a avó destas Birras, que tem dificuldade em estar calada, reconhece que anda muito mais silenciosa do que noutros tempos, o que se à primeira vista podia ser uma coisa boa, na realidade não é.
Mas, afinal, em que conversas cortámos e que influência tem este silêncio progressivo sobre o nosso sentimento de pertença a uma comunidade? De que forma alimenta a desconfiança e o isolamento social? Ligue-se a esta nossa Birra e saia dela com vontade de começar já hoje a lutar contra esta epidemia, na certeza de que o seu exemplo irá contagiar os seus filhos e netos.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - Quem já passou por isso pode disfarçar melhor ou pior, mas não desvaloriza a ansiedade que provoca deixar um filho pela primeira vez numa creche ou jardim-de-infância. E não podia ser de outra maneira — podemos precisar e até querer muito voltar ao trabalho, mas os humanos não foram feitos, tal como os outros animais, para se separarem das suas crias, muito menos entregá-las a “estranhos”. E os bons educadores também sabem que uma transição bem feita é o segredo para a adaptação da criança que acolhem. Neste episódio, a mãe destas Birras que também estudou educação de infância, e é simultaneamente mãe de quatro filhos, ajuda-nos a navegar estas águas e a saber o que podemos, e devemos, pedir à creche ou ao jardim-de-infância.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - Neste episódio do Birras de Mãe, Isabel e Ana Stilwell falam sobre a geração sandwich, as mulheres (sobretudo) que chegaram a uma idade em que estão “entaladas” entre cuidar dos filhos e cuidar dos seus próprios pais. Mas isso era dantes, agora a história complicou-se, e como se já não fosse difícil, pode tornar-se ainda mais complicado porque (felizmente) os bisavós também passaram a fazer parte da equação. Ou seja, tornou-se aquilo que os especialistas intitularam de “DoubleMac”, um pão com mais andares sobrepostos. E às vezes nem a energia, nem o dinheiro chegam para acudir a todos, função que as mães de família, quais polvos de oito braços, tentam fazer.
Mas a Ana acena com as boas notícias que encontrou num artigo da Psychology Today – todos saem a ganhar com os benefícios desta ligação inter-gerações, desde que as tarefas sejam partilhadas, e o cuidador não seja sempre o mesmo (como tantas vezes acontece, levando à exaustão completa). Por seu lado, a avó destas Birras não para de falar da alegria que recebe de ter filhos e netos em redor, e de como temos de deixar os mais novos descobrir a felicidade interior que vem com o altruísmo (em lugar de constantemente os pouparmos ao que, imaginamos, só lhes pesa).
Não perca este episódio e conte-nos sem medo de julgamentos a sua própria experiência.
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