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  • Debate sobre direito ao suicídio assistido na França pode ser influenciado pela morte de Godard?
    A morte do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard ocorreu poucas horas depois de o governo francês relançar o debate sobre o direito ao fim voluntário e medicalizado à vida. Apesar de as duas notícias não terem relação, a opinião pública pode ser influenciada pela escolha de um grande ídolo, ícone do cinema contemporâneo? Já estava previsto na agenda do presidente francês, Emmanuel Macron, relançar o debate sobre o direito ao fim voluntário e medicalizado da vida, como a eutanásia e o suicídio assistido, proibidos na França. A discussão sobre esse polêmico assunto era promessa de campanha do chefe de Estado, que acredita que, depois de décadas de polêmica, é preciso avançar. O anúncio do presidente foi feito depois que o Comitê Consultativo Nacional de Ética (CCNE) - principal organismo administrativo e independente a cargo de analisar questões éticas na França - ter emitido um parecer favorável à evolução da legislação sobre práticas em prol do fim voluntário e medicalizado da vida. Algumas horas depois, foi divulgada a notícia do falecimento do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, aos 91 anos, pai do movimento Nouvelle Vague, um dos maiores nomes do cinema contemporâneo. Segundo o comunicado emitido pelo assistente da família Godard, o diretor recorreu ao suicídio assistido por sofrer de várias patologias invalidantes. O procedimento ocorreu na Suíça, onde existem diversas formas de assistência ao fim da vida, da eutanásia passiva à assistência ao suicídio. Nem todas essas práticas são enquadradas pela lei suíça, mas são autorizadas sob condições específicas. Não há dúvidas de que a comoção com a morte de Godard foi muito maior do que qualquer polêmica relacionada à sua decisão de colocar um fim à vida. Mas no contexto em que o governo francês têm a iniciativa de relançar o debate sobre a questão, o falecimento do cineasta franco-suíço por suicídio assistido contribui para dinamizar as discussões.  Godard nunca escondeu que era favorável à eutanásia. Em 2014, durante o Festival de Cannes, no sul da França, ele já havia reconhecido a possibilidade de recorrer a um suicídio assistido em caso de uma doença grave. O jornal Libération afirma que a morte do diretor foi "um ato de militantismo", para que essa escolha se tornasse pública. Em editorial, o diário afirma que para Godard, escolher o momento da morte "era algo indiscutível, uma questão de dignidade". Lei francesa autoriza sedação, mas não eutanásia A legislação da França proíbe a eutanásia ativa, ou seja, a administração deliberada de substâncias letais com a intenção de provocar a morte. Isso vale mesmo em caso do pedido do doente, impossibilitado de ter um papel fisicamente ativo no procedimento. Também proíbe a eutanásia no caso em que o paciente está inconsciente e a família ou o corpo médico se pronunciam a favor da morte.  A lei francesa trata a eutanásia ativa como um assassinato, um crime punível com penas que vão de 30 anos de detenção à prisão perpétua. O código penal também prevê aos profissionais da saúde que decidirem realizar esse procedimento a proibição de continuar exercendo suas profissões.  O suicídio assistido - quando um profissional da saúde ajuda um doente consciente a colocar voluntariamente um fim à vida - também é ilegal e punido por lei na França. A diferença desta prática em relação à eutanásia é o papel ativo do paciente, auxiliado a provocar sua morte por um profissional da saúde. A lei Claeys-Leonetti, adotada em 2016 depois de uma primeira versão em 2005, enquadra o direito ao fim voluntário da vida de pessoas que sofrem de doenças incuráveis na França. Ela permite uma "sedação profunda e contínua até a morte" de doentes em fase terminal e em grande sofrimento, cujo prognóstico vital está comprometido a curto prazo.  Neste procedimento legal, o paciente é sedado, recebe medicamento contra a dor e sua alimentação e hidratação são interrompidas. A prática pode ser realizada tanto no hospital como na casa do doente, sob a vontade dele, se estiver consciente. Caso esteja inconsciente, a família ou o corpo médico podem autorizar essa prática.  Brechas na lei desagradam profissionais de saúde No entanto, existem brechas na lei que complicam o recurso ao fim da vida. Atualmente, a prática da sedação contínua até a morte determina que o procedimento só é autorizado para quem tem uma expectativa de vida de "curto prazo", um termo estabelecido pela Alta Autoridade de Saúde da França como um período que vai "de algumas horas a alguns dias".  Os profissionais de saúde que trabalham com tratamentos paliativos reclamam que a lei deixa fora os pacientes em fase terminal de uma doença incurável que têm uma expectativa de vida de médio prazo, por exemplo. Ou seja, não são contemplados aqueles doentes que estão em sofrimento devido a uma patologia gravíssima, sem cura e que têm chances de sobreviver apenas algumas semanas ou meses.  Foi pensando nesses casos que o Comitê Consulativo Nacional da Ética da França se pronunciou nesta semana. O presidente do órgão, Jean-François Delfraissy, reconheceu que a legislação atual não responde a um certo número de situações e acaba prolongando o sofrimento de doentes para os quais não há nenhuma solução. Por isso, o grupo recomenda abrir o caminho para uma assistência ativa ao fim da vida a pessoas com o prognóstico vital comprometido "a médio prazo" e que sofram de doenças físicas ou mentais "insuportáveis e incuráveis". Para que esse processo seja colocado em prática, condições estritas foram estabelecidas pelo comitê. A primeira delas é que o pedido do doente para uma assistência ao fim de sua vida seja "ativa, livre, clara e reiterada". A requisição deste paciente também deve ser analisada pelo corpo médico responsável pelo doente. Além disso, todos profissionais envolvidos neste processo podem se beneficiar da chamada "cláusula de consciência", ou seja, o direito de se opor a uma decisão ou de não cumprir o ato.  Finalmente, para os especialistas do Comitê Consultativo Nacional de Ética da França, os debates sobre o direito ao fim voluntário da vida não devem se resumir à determinação legalização da eutanásia ou ao suicídio assistido. Eles sugerem que antes da realização de um referendo sobre a questão, um grande debate nacional seja realizado.  Uma questão delicada para Macron O presidente Macron se viu no centro de uma polêmica em março, em plena campanha eleitoral, quando era candidato à reeleição. Em uma viagem que à cidade de Fouras, no oeste da França, conversou com dois eleitores que pediram a legalização da eutanásia. Na época, Macron declarou ser "pessoalmente" a favor do modelo belga, que permite que doentes que lutam contra doenças graves e incuráveis, inclusive menores de idade, possam recorrer à eutanásia dependendo de várias condições. Por isso, o presidente é acusado pela oposição de tomar a decisão de reabrir o debate sobre o fim voluntário da vida baseado em uma convicção pessoal.  Ao anunciar nesta semana sua decisão de criar um grupo de trabalho para tratar sobre a questão, Macron esclareceu que sua opinião pessoal não tem relevância, mas que, como chefe de Estado, ele se vê na obrigação de fazer a lei evoluir. Segundo ele, a legislação atual sobre a questão do fim voluntário da vida é "incompleta".  Assim, o líder centrista anunciou o lançamento de uma "convenção cidadã" a partir do mês de outubro. Esse grupo será integrado por profissionais da saúde de diversas áreas, associações que militam pelo direito ao fim voluntário da vida, pacientes e parlamentares de todas as tendências políticas. Eles passarão seis meses trabalhando sobre o tema, consultando profissionais, pacientes, e representantes de todos os setores da sociedade que tenham relação com a questão do fim voluntário da vida. Paralelamente, uma comissão parlamentar será encarregada de avaliar a lei existente para compreender porque ela é falha hoje.  Em março de 2023 a convenção anunciará o resultado dos trabalhos realizados e será decidido se a lei Claeys-Leonetti poderá ser modificada ou não. Macron se diz a favor à mudança do texto e não descarta a possibilidade de realizar um referendo nacional sobre a questão.  A mais recente pesquisa sobre o direito ao fim voluntário e medicalizado da vida foi realizada em fevereiro pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop). A sondagem apontou que 94% dos franceses aprovam o recurso à eutanásia em caso de sofrimento extremo e doenças incuráveis. Já o recurso ao suicídio assistido é aprovado por 89% das pessoas ouvidas.
    9/16/2022
    13:00
  • Os franceses e Elizabeth II: uma história de admiração recíproca ao longo de 70 anos de reinado
    A amizade e a admiração entre a rainha Elizabeth II e os franceses era recíproca. A monarca britânica, falecida na última quinta-feira (8), adorava a França e demonstrou isso em cada uma das cinco visitas de Estado que fez a Paris e outras cidades.  Autoridades, artistas, intelectuais, cidadãos e a imprensa francesa lamentaram o falecimento de Elizabeth II. Apesar de os franceses terem adotado o sistema republicano há mais de dois séculos e terem apego ao Estado laico, a rainha inspirava admiração e respeito do outro lado do Canal da Mancha. Em sinal de luto, a Torre Eiffel ficou apagada na noite que se seguiu à morte da monarca. No dia seguinte, as bandeiras amanheceram a meio-mastro, em todos os edifícios públicos franceses.   Em um vídeo de 3 minutos, gravado em inglês, o presidente Emmanuel Macron se dirigiu diretamente aos britânicos. Na gravação, ele disse que a morte de Elizabeth II "deixava uma sensação de vazio nos franceses". Macron prometeu perpetuar os valores que a soberana nunca deixou de encarnar e promover "a força moral da democracia e da liberdade".  Macron foi até a embaixada britânica, em Paris, que é vizinha do Palácio do Eliseu, no Faubourg Saint-Honoré, e assinou o livro de condolências aberto pela missão diplomática. Ele conversou durante alguns minutos com a embaixadora britânica e disse: "acredito que os franceses estão comovidos porque a rainha foi uma personalidade, uma presença que acompanhou 70 anos da vida dos britânicos e da Europa".  Elizabeth II adorava a França e demonstrou isso em cada uma das cinco visitas de Estado que fez a Paris e a outras cidades francesas. Ela falava perfeitamente o francês, conhecia profundamente a história do país e, conforme lembrou o ex-ministro Jack Lang, "admirava a cultura francesa, os vinhos, a gastronomia, a famosa 'art de vivre à la française'", ou seja, a maneira como os franceses celebram a vida no cotidiano, além de ter sido uma pró-europeia convicta. Para alguns, pode parecer contraditório que um povo que fez uma revolução sangrenta para derrubar a monarquia há mais de 200 anos, cortando cabeças de membros da família real da época, tenha essa relação de admiração pela monarca britânica falecida. Mas não é. Tranquilidade e segurança A estabilidade que Elizabeth II transmitia dentro e fora do país inspira essa admiração entre os herdeiros da Revolução Francesa, de 1789. O jornal Le Figaro publicou um editorial muito preciso sobre isso, na sexta-feira (9): "O mundo podia tremer, a identidade da Inglaterra ser ameaçada, a família real ser abalada por dramas e escândalos, mas o ar sereno e imperturbável da rainha transmitiam tranquilidade”.  Essa qualidade de Elizabeth II, associada à relação de amizade particular que ela sempre demonstrou em relação à França, criaram esse laço forte e duradouro.  Depois de ser coroada, a França foi o primeiro país que a rainha visitou fora da Comunidade de Nações britânica, o Commonwealth. Essa histórica visita a Paris aconteceu em 1956, quando ela tinha 30 anos. No discurso pronunciado num jantar de gala oferecido no Palácio do Eliseu, ela disse em um francês impecável que esperava que "a confiança e a compreensão mútua entre a República Francesa e o Reino Unido durassem para sempre".  Elizabeth II conviveu com nove presidentes franceses Em 70 anos de reinado, Elizabeth II conviveu com nove presidentes franceses. Em Paris ou Londres, ela sempre demonstrava estar contente de se reunir com os chefes de Estado franceses. Com alguns aconteceram discordâncias e gafes, porém logo superados. A história registra que a rainha tinha uma cumplicidade especial com o socialista François Mitterand, com quem conviveu durante dois mandatos consecutivos, de 1981 a 1995. A cultura do líder francês socialista encantava a monarca. Eles trabalharam juntos para construir o túnel sob o Canal da Mancha, que hoje liga a França à Grã-Bretanha.  Apesar do Brexit, as expectativas do governo francês são positivas em relação ao rei Charles III. Com uma personalidade mais aberta e engajada, Charles III poderá redefinir a monarquia britânica. Ele é um ativo defensor do meio ambiente, e a França conta com esta convicção do novo soberano para influenciar o mundo a acelerar o combate à mudança climática. Champagne preferido da rainha O fabricante de champagne Pol Roger publicou uma nota de pesar pelo falecimento da rainha. A marca francesa, que primeiro conquistou o paladar do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill e depois o de Elizabeth II, tornou-se fornecedora oficial da coroa britânica há várias décadas. A rainha gostava de degustar uma taça de Pol Roger "extra brut" nas recepções que oferecia no Castelo de Windsor. William e Kate Middleton serviram essa marca de champagne em seu casamento, em abril de 2011. Harry e Meghan Markle fizeram o mesmo em maio de 2018. O fabricante francês, instalado em Épernay, na região de Champagne, tem orgulho de exibir em suas garrafas "Royal Warrant of Appointment", um selo concedido às empresas que fornecem produtos à coroa inglesa. "A Maison Pol Roger está profundamente entristecida com a morte de Sua Majestade a Rainha Elizabeth II e agradecida por sua longa vida de dedicação e serviço", diz a nota publicada na home page do vinhedo.
    9/12/2022
    11:38
  • França retira anonimato de doadores de óvulos e esperma para facilitar acesso às origens
    Nesta quinta-feira (1°), entrou em vigor na França a nova legislação que acaba com o anonimato nas doações de óvulos ou de esperma utilizados por casais ou mulheres independentes que, por razões diversas, precisam desse recurso para concretizar o sonho da maternidade ou paternidade. Essa mudança na lei de bioética é considerada quase como uma revolução na sociedade francesa. Daqui para a frente, no momento da doação, seja de óvulo ou de sêmen, os doadores terão de assinar um documento consentindo que sua identidade seja revelada no futuro, depois que a criança concebida dessa forma completar 18 anos, se ela manifestar o desejo de saber quem são seus pais genéticos. No Brasil, a legislação ainda garante o anonimato aos doadores. O processo de reflexão sobre a importância de uma pessoa concebida por meio de doação de gameta ter acesso à identidade de seu pai biológico ou da mãe genética durou décadas. Há 40 anos, quando os médicos começaram a realizar os primeiros procedimentos de fertilização in vitro na França, a infertilidade era vivida como uma vergonha, um tabu. Muitos casais escondiam a vida inteira dos filhos a forma como as crianças tinham sido concebidas. Com o tempo, os profissionais que trabalham nos hospitais onde ficam os bancos de óvulos e de esperma viram o comportamento social mudar. Depois, a internet e o aparecimento das redes sociais facilitaram as pesquisas e o contato entre pessoas que tinham uma desconfiança em relação aos pais genéticos. Formaram-se grupos de ajuda, comunidades de pessoas buscando algum indício que pudesse esclarecer dúvidas sobre as circunstâncias da concepção. Os exames de DNA também se tornaram acessíveis para confirmar ou descartar alguma suspeita. Também existem casais que nunca esconderam dos filhos que recorreram a uma doação, mas a legislação não permitia a identificação do doador. Nos últimos anos, psicólogos passaram a defender a transparência, e os legisladores aceitaram levantar parcialmente o anonimato sobre as doações. As condições são estritas.  A lei adotada determina que só a criança poderá solicitar as informações relativas à doação, depois de completar 18 anos, se assim o desejar. Os pais que no passado utilizaram um banco de gametas nunca terão acesso à identificação do doador. Homens e mulheres que fizeram esse gesto altruísta de voluntariamente ajudar casais e mulheres com problemas de fertilidade também nunca poderão pedir para conhecer um filho gerado a partir da doação que fizeram. O princípio dessa evolução da lei é que toda pessoa tem o direito de conhecer suas origens, se o desejo partir dela, para que o processo de construção psíquica possa ocorrer sem segredos e da maneira mais saudável possível. É uma decisão individual. Muitas pessoas geradas por métodos de reprodução assistida conhecem essa circunstância e se sentem bem com isso, vivem bem com o passado dos pais e não têm curiosidade sobre a origem genética de um óvulo ou de um espermatozóide doado. Mas outras têm, e os legisladores franceses decidiram que elas devem poder consultar a base de dados dos organismos oficiais. Acesso aos dados centralizado e com acompanhamento psicológico A lei de bioética de 2021 criou uma comissão nacional de acesso às informações, subordinada ao Ministério da Saúde, que irá acompanhar as pessoas interessadas em conhecer suas origens. A pessoa em busca de um pai biológico ou de uma mãe genética poderá acessar os dados em duas etapas. Se quiser, no primeiro momento, poderá consultar dados como idade, situação familiar e profissional na época da doação, características físicas, estado de saúde, país de nascimento, as motivações pessoais do doador ou doadora registradas por escrito. A revelação do nome completo do pai ou da mãe genética pode ficar para uma segunda etapa. Mas as autoridades acreditam que a maioria dos interessados terão curiosidade de saber todas as informações. Trata-se de um processo delicado, complexo, e que requer tempo para a estruturação das emoções. Existem histórias com final feliz, outras terminam em decepção. Por isso, a legislação prevê as duas etapas. Para alguns, tomar conhecimento de alguns detalhes da peça que falta na construção de sua história pode ser suficiente para seguir em paz na vida. Outros tentarão conhecer os pais genéticos. A filiação, no entanto, nunca irá mudar nos registros de identidade. Queda nas doações? Durante os debates no Paramento francês, houve a discussão se o levantamento do anonimato teria um efeito dissuasivo nos potenciais doadores. No entanto, há vários anos a maioria dos doadores que se apresentam nos Centros de estudos e de conservação de óvulos e esperma humano (Cecos) dizem ser favoráveis à divulgação futura de sua identidade. Esse consentimento era até agora informal, mas os doadores já se manifestavam a respeito. Desde ontem, tornou-se oficial. Evolução na Europa Na Suécia e no Reino Unido, que flexibilizaram o anonimato dos doadores, houve uma queda no primeiro momento de mudança da lei, mas depois as doações voltaram a subir e até ultrapassaram a média anterior. Especialistas franceses acreditam que se houver impacto no país, será momentâneo.  A França precisa atualmente aumentar os estoques de gametas disponíveis, porque a extensão, no ano passado, da reprodução assistida para casais de mulheres e solteiras aumentou consideravelmente a demanda. Os pedidos de acesso às técnicas de reprodução assistida passaram de uma média anual que vinha em torno de 2 mil inscrições até 2020, para 13 mil em 2021. A explosão da demanda é uma consequência da aprovação da nova lei de bioética. Continua existindo uma enorme carência de óvulos no país, enquanto a doação de esperma é muito mais frequente. Mas isto tem a ver com a própria condição biológica: enquanto um homem pode doar milhões de espermatozóides, a produção de óvulos é limitada na vida de uma mulher.
    9/2/2022
    11:14
  • Parlamento francês estuda novo imposto para empresas que registram lucros bilionários
    O Parlamento francês decidiu analisar em tramitação acelerada um projeto de lei de criação de um imposto excepcional para empresas que têm registrado lucros exorbitantes em meio à crise energética, enquanto a a população sofre com a escalada da inflação.  Os relatores do projeto visam três setores em particular: empresas fornecedoras de energia, combustíveis e transporte marítimo. São companhias que se beneficiaram da recuperação econômica pós-pandemia e agora têm lucrado com a crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia.  A petrolífera francesa TotalEnergies, por exemplo, teve um lucro líquido de € 5,7 bilhões no segundo trimestre do ano, quando o preço do combustível na bomba já estava nas alturas e muita gente se questionava se enchia o tanque do carro para ir trabalhar ou a geladeira.  O ministro da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, discorda da ideia de taxar as empresas do setor de energia. Ele alega que elas precisam ter reservas para reinvestir em projetos de transição para fontes renováveis. A questão é que essas gigantes também distribuem milhares de euros em dividendos a seus acionistas.  Desde que os preços do petróleo e do gás dispararam, o Reino Unido, a Itália e a Espanha adotaram um imposto extra de 25% sobre as empresas desse setor. O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou de "imoral" o lucro que essas companhias têm acumulado nas costas dos consumidores. Os franceses estão pagando a eletricidade sete vezes mais caro atualmente do que no início do ano.  Para reduzir o impacto social da crise energética, o governo francês optou por outra estratégia. Decidiu subsidiar € 0,18 centavos no litro dos combustíveis e congelou temporariamente as tarifas do gás. Com isso, já gastou mais de € 20 bilhões em poucos meses, em uma política considerada onerosa para os cofres públicos e injusta socialmente, na medida que o desconto também beneficia quem pode pagar. Essa estratégia não é sustentável a longo prazo, principalmente porque os preços da energia vão continuar a subir com o embargo ao petróleo russo e à drástica redução das exportações de gás impostas por Moscou.  Esta semana, o presidente Emmanuel Macron quis preparar os franceses para tempos difíceis, "de grande mudança". Ele disse que a era da "abundância" e da "despreocupação" tinha chegado ao fim. Mas essa declaração teve péssima repercussão. Macrou se referia à série de crises que a França e a Europa atravessam: as consequências da guerra na Ucrânia, a seca prolongada, que vai comprometer a próxima safra agrícola, encarecendo ainda mais os alimentos, e as medidas de combate à mudança climática, que os incêndios deste verão mostraram ser urgentes. Entretanto, ele foi apontado como um líder "desconectado" da realidade, lembrando aquela imagem de "presidente dos ricos", que retorna das férias num castelo no sul da França e avisa que a vida da população vai ficar muito pior. O deputado comunista Fabien Roussel, que disputou a presidência, disse que é "inadmissível cobrar mais sacrifícios de pessoas que tentam viver dignamente com um salário". "Para a grande maioria, o problema não é a abundância, é a falta", afirmou o deputado. "Não é um descuido, é uma preocupação com a geladeira vazia", destacou Roussel. Nas redes sociais, internautas também criticaram Macron. O líder da central sindical de trabalhadores CGT, Philippe Martinez, disse que abundância "é a situação que o presidente desfruta, assim como seus amigos", muito distante da realidade de milhares de cidadãos. O governo se recusa a abrir negociações de aumento de salários, e ainda pretende propor reformas para dificultar as condições de acesso ao seguro-desemprego e ampliar a idade mínima da aposentadoria dos atuais 62 anos para 64 ou 65 anos.  Dívida e cenário alarmista A França tem uma dívida que chegou a 112% do PIB no mês de junho, equivalente a € 2,9 trilhões. O Estado gasta mais do que arrecada, com um déficit público de 5,5% do PIB. O presidente sabe que a era dos juros baixos acabou e precisa exercer maior controle sobre as contas públicas. Porém, cortar gastos em um cenário de provável recessão, de casa fria no inverno e ainda por cima ameaça nuclear da Rússia complica a margem de manobra de Macron.  Muitos franceses têm reclamando de uma sensação de "fim do mundo". O risco de acidente nuclear na central ucraniana de Zaporíjia, ocupada pelas tropas russas, acrescenta tensão no dia a dia. Alguns políticos têm dado declarações alarmistas, dizendo que a atual crise é sem precedentes. Este momento grave e de incertezas não é bom para a economia. As pessoas precisam de confiança no futuro para continuar a trabalhar e a consumir. Esse foi um outro aspecto criticado na declaração do Macron. A imprensa inglesa disse que ele quis se proteger do balanço ruim que deve deixar para o sucessor.
    8/26/2022
    11:13
  • Imprensa francesa faz intensa cobertura da campanha eleitoral no Brasil temendo golpe militar
    A campanha eleitoral começou oficialmente nesta semana no Brasil e não passou despercebida na Europa. As mídias francesas acompanham com preocupação os acontecimentos políticos no país temendo violências e um golpe militar em caso de derrota de Bolsonaro.  Na França, canais de TV, rádios e jornais destacaram diariamente os primeiros dias da corrida eleitoral - um interesse ainda limitado ao duelo entre a esquerda e a direita para o cargo de chefe de Estado. Até o momento, pouco se falou sobre outros candidatos à presidência e as eleições de senadores, deputados e governadores.  O tom, em geral, das mídias francesas é de muita preocupação com o cenário político no Brasil. Em uma matéria publicada na terça-feira (16), dia em que a campanha eleitoral começou oficialmente, o jornal Libération diz que essas serão as eleições mais importantes no país desde o final da Ditatura Militar e que o Brasil já vive um clima de "forte tensão".  O jornal Le Monde se concentra principalmente na queda de braço entre o Lula e o Bolsonaro. O diário destaca, por exemplo, que o líder do PT uniu nove partidos políticos, de várias tendências - da centro-direita até à esquerda mais radical - para tentar vencer o atual presidente.  Apesar de estar atrás de Lula nas intenções de voto, "o líder da extrema direita ainda é extremamente popular entre os evangélicos". Além disso, "Bolsonaro multiplicou nas últimas semanas ameaças de um golpe em caso de derrota", sublinha o Le Monde. Nesta sexta-feira (19), a revista francesa Marianne traz uma matéria focando essencialmente na figura de Lula. O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) é apresentado como "um sobrevivente de um golpe de Estado", em referência aos 580 dias que Lula passou na prisão, entre 2018 e 2019.  O jornal Ouest France enviou dois repórteres para cobrir esse início de campanha no Brasil. Eles acompanharam o comício do Lula em Belo Horizonte na quinta-feira (18) e classificam o candidato do PT como "uma estrela de rock". A manchete da matéria é uma declaração de Lula durante seu discurso: "Eu tenho a energia de um homem de 30 anos".  Preocupação com polarização é unanimidade na imprensa francesa A imprensa francesa é tradicionalmente opinativa, com posicionamento político explícito. O jornal Libération, por exemplo, segue uma orientação à esquerda; o Le Monde é de centro, enquanto o Le Figaro pende à direita. No entanto, por mais que haja diferença de viés político entre eles, há, em geral, uma forte preocupação com as consequências da polarização da campanha no Brasil e com a aceitação do resultado das urnas.  A manchete do Libération de 12 de agosto - que dedicou sua capa e suas cinco primeiras páginas à corrida eleitoral - foi: "A democracia está em jogo no Brasil". Em editorial, o diário expressou o temor de que possa ocorrer no Brasil um incidente similar à invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, por partidários de Donald Trump, após as eleições presidenciais de 2020. O jornal Le Monde também expressa sua preocupação com o próximo 7 de setembro, quando será comemorado o bicentenário da Independência. Vários atos pró-Bolsonaro haviam sido convocados em todo o país, mas o presidente voltou atrás na quinta-feira e disse que os eventos irão se concentrar em Brasília. Ainda assim, o Le Monde lembra que muitos militantes da extrema direita estão se organizando para transformar a data numa espécie de "insurreição popular" e que o risco de violência é muito alto.  A rádio France Inter realizou nesta sexta-feira uma entrevista com a historiadora brasileira Silvia Capanema, professora na universidade Sorbonne Paris Nord. Ela alerta para a possibilidade de um 7 de Setembro trágico e da recusa de Bolsonaro de deixar o poder, podendo resultar em um golpe militar. Ataques de Bolsonaro às instituições democráticas O tom do resto da imprensa europeia não é diferente da francesa. O jornal espanhol El País trata das eleições no Brasil em seu editorial desta quinta-feira, expressando sua preocupação com os frequentes ataques de Bolsonaro às instituições do país, como o STF, o TSE, neste esforço de "criminalizar a oposição". Segundo o El País, a atitude do presidente coloca em perigo a democracia brasileira.  O editorial também diz esperar que as autoridades eleitorais brasileiras possam cuidar da integridade da campanha e combater as fake news com instrumentos legais. Além disso, faz um apelo para que as forças de segurança redobrem os esforços para que os candidatos e os eleitores possam sair às ruas sem se preocupar com episódios de violência.  O jornal português Público faz uma cobertura apurada desse início de campanha, publicando matérias e colunas de opinião diariamente. Em matéria publicada em 16 de agosto, o diário destaca a escolha de Bolsonaro de começar a corrida eleitoral em Juiz de Fora, onde ele recebeu uma facada em 2018. O jornal português trata também do discurso do Lula no ABC paulista.  Uma das colunas do Público nesta semana, intitulada "Brasil: campanha de embate e não de debate", foi assinada por Rita Figueiras, professora da Universidade Católica Portuguesa. Segundo ela, "nas próximas semanas, vamos assistir a uma escalada incessante da guerra de rejeições, movida por ódio, ressentimento e intransigência" no Brasil. Figueiras se preocupa sobre como ficará a sociedade brasileira depois das eleições. Em editorial do dia 16 de agosto, o jornalista Manuel Carvalho afirma no jornal Público que há muitos brasileiros que duvidam de Lula e do PT, mas que, com o candidato da esquerda, os eleitores "têm ao menos a certeza de que a Constituição, o Estado de direito e as liberdades fundamentais não estão em risco". Desconfiança sobre urnas eletrônicas e armamento da população O jornal britânico The Guardian prevê que a tensão vai aumentar até o primeiro turno, em 2 de outubro. Para o diário, esse clima é principalmente impulsionado pela questão da desconfiança nas urnas eletrônicas, frequentemente evocada por Bolsonaro.  O The Guardian também se preocupa com a recomendação de Bolsonaro de aquisição de armas pela população, sob a justificativa de que, segundo o presidente, é algo autorizado na bíblia. Para o diário britânico, isso seria uma estratégia para preparar os bolsonaristas a uma reação violenta em caso de derrota.  O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung traz uma matéria de seu correspondente em São Paulo intulada de "Populista contra populista", referindo-se a Lula e Bolsonaro. O diário diz que nos dois campos há seguidores "leais e às vezes fanáticos".  A matéria lamenta que nessas eleições não haja espaço para outros candidatos e que "uma busca incômoda pela 'terceira via' até agora não produziu nenhum representante promissor".
    8/19/2022
    19:32

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