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  • Putin usa desfile militar para resgatar patriotismo russo da Segunda Guerra Mundial
    Tanto no palco internacional quanto no doméstico, Vladimir Putin vende a invasão da Ucrânia como uma missão de compromisso moral, com objetivo de libertar um povo visto pelo presidente russo como historicamente oprimido.  Thiago de Aragão, analista político Esta narrativa é estabelecida através de uma distorção da memória coletiva compartilhada por cidadãos da antiga União Soviética: a propaganda política de Putin, ao caracterizar a administração do presidente Volodymyr Zelensky como nazista, tenta resgatar a credibilidade e o patriotismo russos vistos pela última vez na Segunda Guerra Mundial Para enfatizar e fortalecer essa narrativa, o governo russo preparou uma parada militar no dia 9 de maio, data considerada pelos russos como o Dia da Vitória sobre Adolf Hitler em 1945. Com isso, o Kremlin se propõe a construir e promover uma justificativa "quebrada" para uma invasão injustificável. Para compreender a retórica do presidente russo e seu sucesso em promover a legitimidade da guerra entre seus seguidores, é necessário refletir sobre o caminho histórico que a Ucrânia percorreu junto ao país que hoje a enfrenta. É importante lembrar que a participação soviética e seu papel chave em garantir vitória contra as forças nazistas durante a Segunda Guerra Mundial foram motivos de grande orgulho e união para a população do país - na época, uma população que incluía russos e ucranianos. É igualmente válido ressaltar que o divórcio entre estes povos após a dissolução da URSS ocorreu de forma relativamente amigável, com a Rússia se comprometendo à honrar a maioria esmagadora de quase 90% ucranianos que votou à favor de sua própria independência. Mudança de perspectiva Com a ascensão de Vladimir Putin e a consolidação de seu poder quase absoluto sobre o estado russo, a Rússia rapidamente mudou sua perspectiva sobre a nação ucraniana e sobre a busca dos interesses que tinha em seu território. O caminho até a ocupação de terras ucranianas vem sendo construído por Putin há anos, evoluindo de forma lenta porém constante devido à indulgência e arrogância dos Estados Unidos e seus aliados. Em 2014, quando Putin invadiu a península da Crimeia e violou as garantias de segurança estabelecidas no memorando de Budapeste em 1994, os americanos e o oeste europeu não tomaram atitudes fortes, se limitando à implementação de sanções econômicas fracas e “desaprovação diplomática”. Desde então, apesar das provisões de pacificação incluídas nos acordos de Minsk, a Rússia vem colhendo frutos em cima dos ganhos políticos e econômicos gerados nesta invasão. Dado o que aconteceu em 2014, é normal que a Rússia tenha se surpreendido com a aversão absoluta e a oposição prática apresentada pelo Ocidente após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Grande parte da comunidade internacional condenou as ações russas, se recusando a aceitar as explicações forçadas oferecidas por Putin e vendo a guerra pelo que ela realmente é - um produto ilegítimo das ambições políticas e econômicas de um ditador fora de controle. Ironicamente, apesar da narrativa desenhada por Vladimir Putin, são suas próprias ações que mais se assemelham à conduta nazista de Adolf Hitler. A agressão desenfreada sancionada pela Rússia não só viola inúmeros acordos e tratados internacionais, mas também, em sua barbárie, princípios básicos de direitos humanos em tempos de guerra. É importante que os EUA e a OTAN trabalhem continuamente para desmistificar a narrativa mentirosa de Putin ao redor do mundo, assim enfraquecendo o esforço de guerra russo.
    5/9/2022
    6:13
  • Sentimento crônico de medo na Europa é chave de eleições polarizadas
    Cansaço e medo: estes são dois sentimentos em destaque no cenário europeu de hoje. Há o cansaço e o medo dos mais de dois anos de pandemia. Ela afetou não apenas o cotidiano de norte a sul, de leste a oeste do continente; também foi vítima dela a autoestima coletiva nele. Flávio Aguiar, analista político A pandemia começou na China, mas ao contrário da famigerada gripe espanhola, do começo do século XX, que viajava de barco e trem, a da Covid-19 viajou de avião. Também, ao contrário daquela gripe, cujo noticiário “viajava” nas páginas de jornais, a Covid se espalhou meteoricamente pela internet, pela televisão, pelo rádio, pelas redes sociais. Pela sua situação geográfica, entre a América, a África e a Ásia, englobando até a distante Oceania, a Europa tornou-se o “hub” da pandemia, o ponto de convergência e conexão central de onde, pelas linhas aéreas, ela se disseminou pelo mundo. A somar-se a este cansaço e medo endêmicos diante da doença, vieram agora o cansaço e o medo diante da Guerra na Ucrânia, que de momento parece não ter horizonte nem fim à vista. A situação econômica já entrara complicada em 2022, e desde o começo do conflito só fez piorar. A inflação galopa solta pelo continente, atingindo, recentemente, uma estimativa média de 7,5% anuais, uma catástrofe para um continente que até há pouco se orgulhava de ter um índice próximo do zero. A cifra, no entanto, é ao mesmo tempo reveladora e enganadora, porque o índice inflacionário se distribui desigualmente, conforme os produtos que engloba. Na espiral inflacionária despontam os preços dos alimentos e da energia, com seus reflexos nos transportes e outras áreas do cotidiano, como remédios. Com isso, agigantaram-se os variados medos que já estavam instalados nos corações e mentes: medo de perder o status social, medo de não fechar as contas no fim do mês, medo de perder o emprego, medo de comprometer o futuro dos filhos, medo de perder a moradia e de ter que “ir morar mais longe”, seja lá do que for. Numa palavra, acentuou-se a sensação de desamparo, sobretudo para quem já se sentia desamparado, fora do sistema de proteção social no sentido amplo da palavra, cada vez mais reduzido. Medo e a eleição francesa Segundo institutos de pesquisa, entre eles o conceituado Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), fundado em 1938, este sentimento crônico de medo foi um dos elementos determinantes do comportamento do eleitorado francês na última presidencial. O desempenho do presidente reeleito Emmanuel Macron foi positivamente decisivo junto ao eleitorado mais velho, de 65 anos ou mais, e o mais jovem, entre 18 e 24 anos. Qual a característica comum destes dois segmentos tão distantes na idade? Estão fora do mercado de trabalho, seja porque nele não entraram, seja porque nele já passaram. Já na faixa etária entre os dois grupos, majoritariamente de pessoas imersas no mercado de trabalho, o desempenho de Macron foi bem mais próximo do de sua rival da extrema direita, Marine Le Pen. Nos setores menos favorecidos, aqueles que ganham menos de 900 euros por mês, a vitória foi de Le Pen, bem como entre os eleitores que não têm sequer um diploma de ensino médio. Macron venceu nas grandes cidades afluentes, como Paris, Marselha, Toulouse, Nantes, Estrasburgo; já Le Pen venceu nas pequenas cidades distantes dos grandes centros, nas zonas rurais, e em regiões e bairros antes industriais e hoje em crise de abandono e desemprego. Votos anti-Macron e anti-le Pen As pesquisas também detectaram uma migração significativa de votos dados no primeiro turno ao candidato de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, para Marine Le Pen, no segundo. Ou seja: isto significa que, assim como houve um voto útil anti-Le Pen, que favoreceu Macron, também houve um voto útil anti-Macron, que favoreceu o crescimento da candidata da extrema direita. No segundo turno uma parte do eleitorado identificou Macron como o candidato dos mais ricos e dos abonados. Segundo Jérôme Fourquet, diretor do Ifop francês, em artigo publicado no jornal inglês The Guardian em 28 de abril, este comportamento dos “desamparados” foi análogo ao observado no plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, em 2016, quando eles preferiram o “protecionismo” identificado com a direita, que defendia a ruptura, ou mesmo ao da eleição presidencial norte-americana no mesmo ano, que levou o arquiconservador Donald Trump à Casa Branca, em Washington. Esta tendência mereceria ser também pesquisada em outros colégios eleitorais onde a extrema direita vem fazendo ou fez progressos, como na Espanha, em Portugal, ou mesmo na Itália e na mais próspera Alemanha.
    5/2/2022
    5:51
  • Análise: Macron tem capital diplomático valioso para futuro das relações entre Rússia e Otan
    A vitória de Emmanuel Macron na eleição presidencial francesa indica uma continuação das políticas internacionais do atual governo francês nos próximos anos. Contrariando os planos nacionalistas apresentados por sua oponente Marie Le Pen durante a campanha eleitoral, Macron visa uma França presente na União Europeia e cada vez mais alerta às suas responsabilidades como membro da Otan. O presidente francês defende a importância da colaboração contínua entre países europeus para o fortalecimento da segurança no continente, especialmente no contexto geopolítico dos dias de hoje.  Como único chefe de Estado da Otan capaz de estabelecer uma linha de negociação semi estável com Vladimir Putin após a invasão da Ucrânia, Macron oferece um capital diplomático que pode ser valioso no desenrolar da guerra e também para o futuro das relações entre Otan e Rússia. O sucesso de um potencial acordo de cessar-fogo pode depender da influência de Macron como interlocutor principal no diálogo entre o Oeste e Putin. Apesar da diplomacia, Macron tem direcionado seu governo a uma conduta de prontidão que se compromete com a rejeição e abominação completa das ações do líder Russo. A França liderada por Macron já forneceu equipamentos e armamentos para os ucranianos através da Otan, participando indiretamente da guerra. Macron procura um equilíbrio entre uma liderança europeia forte e um acesso diplomático mais desenvolvido: combinação que tende a consolidar uma perspectiva de segurança e estabilidade para o oeste europeu no futuro próximo. Mesmo com as tensões recentes, Putin foi um dos primeiros a felicitar Macron por sua reeleição. "Desejo com sinceridade sucesso em sua ação pública, assim como uma boa saúde", disse o líder de Moscou em um telegrama enviado a Macron, de acordo com o Kremlin. Liderança francesa por uma união do oeste e do leste europeu A reeleição de Macron tendo ocorrido em meio à guerra na Ucrânia, também oferece uma oportunidade para que o governo francês fortaleça suas relações com países do Leste Europeu. Já que a invasão russa se tornou prioridade dentre as políticas internacionais de nações europeias, transcendendo desavenças prévias entre aliados da Ucrânia, Macron pode melhorar seu relacionamento com o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki, revigorando a união do oeste e leste europeu por meio de uma liderança francesa. A existência de tal preocupação imediata em comum também facilita a reaproximação da França com os Estados Unidos, que vêm trabalhando para recuperar um bom relacionamento desde que a crise dos submarinos do ano passado fomentou certa tensão diplomática entre Paris e Washington. Com o presidente francês sendo reeleito, Joe Biden garante o comprometimento de um de seus principais e mais poderosos aliados da Otan com a manutenção de relações internacionais tanto na Europa quanto no resto do mundo. Uma França que preza pelo fortalecimento da Otan e da União Europeia agrada aos EUA, pois consolida a força diplomática e militar da aliança não só em relação à Rússia, mas a qualquer outro país que ameace a segurança de seus membros.
    4/25/2022
    4:17
  • Extrema direita avança na Europa por via democrática e também em grupos violentos
    Mesmo que venha a perder o segundo turno da eleição francesa para o atual presidente Emmanuel Macron, não se pode negar que a campanha de Marine Le Pen, do partido de extrema direita Reunião Nacional, obteve sucesso. Na primeira vez que concorreu à Presidência, em 2012, Le Pen ficou em terceiro lugar, com 17,9% dos votos. Em 2017, foi classificada ao segundo turno com 21,3% dos votos, terminando derrotada (33,9%). Neste ano, foi ao segundo turno com 23,15% de votos, apesar da concorrência em seu campo de Éric Zemmour (7,07%). A uma semana do pleito, as pesquisas lhe dão uma média de 45% de intenção de votos para 24 de abril. O crescimento constante de Le Pen assinala o sucesso eleitoral de uma extrema direita que, mesmo com propostas antidemocráticas marcadas pela xenofobia e disfarçadamente pelo racismo, se apresenta como “bem-comportada”, seguindo as regras do jogo democrático. Com diferentes graus de sucesso ou insucesso, este também é o caso do partido Alternative für Deutschland (AfD), na Alemanha, do Vox, na Espanha, do Chega, em Portugal, e do Liga, na Itália, sem esquecer casos como os da Polônia e Hungria, em que a extrema direita está no poder nacional. Mas nem toda a extrema direita segue essa cartilha. Há uma extrema direita escancaradamente “malcomportada”, chegando aos limites do terrorismo programático. Este é o caso dos chamados “Patriotas Unidos”, na Alemanha, grupo extremamente agressivo, embora pequeno, que foi alvo de investigação e prisões por parte da polícia. Além de apreender um verdadeiro arsenal de armamentos nada leves, dinheiro, ouro e certificados falsos de vacinação, os policiais surpreenderam planos de sequestrar o ministro da Saúde alemão, Karl Lauterbach, numa campanha negacionista de protesto contra a política sanitária do governo de Berlim em relação à pandemia. Este tem sido um novo trunfo para os movimentos de extrema direita, sejam os “bem-comportados” ou os “malcomportados”: o negacionismo sanitário. O “Patriotas Unidos” não é o único grupo na mira dos aparatos de segurança. No momento estes também investigam o grupo “Atomwaffen Division Deutschland”, mais ou menos em português “Divisão de Armas Atômicas da Alemanha”, uma espécie de filial do movimento semelhante com sede nos Estados Unidos que tem ramificações em vários países do mundo e que é abertamente neonazista, antissemita, homofóbico e defensor da chamada “supremacia branca”. Grupos de supremacia branca Há muitos outros grupos de tendências semelhantes proliferando pela Alemanha, como o Knockout 51, que se destacou por ataques violentos contra políticos e personalidades de esquerda. Em geral, são grupos pequenos, pulverizados, de atuação local e regional, mas por isto mesmo muito perigosos, difíceis de controlar e contando com grande autonomia de ação. Apesar de haver antecedentes, a luz vermelha só veio a se acender de vez quando, em junho de 2019, um fanático neonazista assassinou o político conservador Walter Lúbcke, da União Democrata Cristã, por discordar de sua posição favorável ao acolhimento de imigrantes refugiados. Desde então, a vigilância sobre as atividades da extrema direita aumentou consideravelmente, a ponto do então ministro do Interior (equivalente ao ministro da Justiça no Brasil), Horst Seehofer, tê-las considerado a maior ameaça à democracia no país. Depois dos ataques contra as torres gêmeas em Nova Iorque, durante muito tempo os serviços de inteligência alemães negligenciaram a vigilância contra os grupos de extrema direita, concentrados no controle sobre movimentos definidos como islâmicos ou de extrema esquerda. Uma destas agências chegou a ponto de fechar sua unidade de controle da extrema direita, dissolvendo-a em outros departamentos. Nem mesmo serviram de alerta atentados gravíssimos, ocorridos em outros países, como o massacre de Oslo, na Noruega, em junho de 2011, quando um fanático de extrema direita matou 77 pessoas, na maioria jovens, num acampamento de verão do Partido Trabalhista. O fato é que “bem ou malcomportados” os movimentos de extrema direita vêm crescendo na Europa inteira, tanto em termos de ações ou de ousadia. Alguns deles, na Alemanha, chegam ao ponto de negar a existência da República Federal; distribuem carteiras de identidade e até passaportes entre seus membros. Até o momento esses papeis valem apenas entre eles. Mas quem sabe um dia venham a ser usados como condecorações de precursores de novos regimes de exceção no continente.
    4/18/2022
    5:12
  • llhas no Pacífico reavivam tensões entre EUA e China
    Enquanto a China está sendo assolada por uma onda de Covid, independentemente de todos os esforços do plano governamental “Covid-Zero”, os EUA voltam a observar a China como o grande adversário geopolítico global. Apesar do foco dos últimos meses estar direcionado à Rússia, Pequim segue sendo o grande adversário americano em disputas por influência pelo globo.  Em 2019, o pequenino país do Pacifico, Ilhas Salomão, abandonou sua postura de reconhecer Taiwan como a “verdadeira” China, e passou a ter a China continental como o farol das suas relações internacionais na região do Pacífico. De 2019 até hoje, a China vem fazendo investimentos pesados nas Ilhas Salomão, o que atrai grande preocupação dos EUA e de seus aliados regionais Austrália e Nova Zelândia.  Num amplo acordo sendo preparado entre China e Ilhas Salomão, Pequim poderá enviar soldados para as ilhas e, possivelmente, construir uma base militar no país, que aproximaria muito as capacidades navais chinesas tanto da Austrália e Nova Zelândia, como também do Havaí.  Na América Latina, a China também obteve importantes ganhos ao longo dos últimos 8 anos. Conseguiu reverter a posição pró-Taiwan de Panamá, República Dominicana e Nicarágua. Existe uma grande preocupação em Washington e em Taipei de que o Paraguai possa vir a ser o próximo país a reconhecer apenas a China continental e abandonar Taiwan como um estado independente.  Expandir área de influência À medida que Pequim vem conseguindo reverter o esforço diplomático que Taiwan vem executando desde 1949, cresce o temor americano de que a China conquiste mais áreas de influência em posições-chave no mundo, acrescentando ao Partido Comunista Chinês mais credibilidade e legitimidade perante a comunidade internacional. Por mais que as Ilhas Salomão não pareçam de grande importância para o público em geral, o governo americano enxerga as ilhas como extremamente estratégicas dentro do cenário de possível conflito com a China na região do Pacífico. Essa semana, dois oficiais de alto escalão do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, visitam o Primeiro-Ministro Manasseh Sogavare em Honiara, capital do país.  Num último esforço diplomático antes da assinatura de um acordo com a China, os americanos, em parceria com os australianos, certamente oferecerão um pacote de benefícios e “bondades” aos salomônicos, para que eles não ofereçam – de bandeja – uma posição estratégica para a Marinha chinesa.  Kurt Campbell, principal assessor da região Ásia da Casa Branca, estará em Honiara ao longo dessa semana. O governo chinês já prepara uma visita à capital imediatamente após a ida de Campbell, para jogar seu jogo e tentar selar um acordo o mais rápido possível. Australianos estão mais impacientes e enxergam na movimentação chinesa uma provocação e um claro sinal de tentativa de expansão em uma área onde a Austrália sempre exerceu influência.  Mesmo com a guerra na Ucrânia a todo o vapor, as peças seguem sendo jogadas na Ásia e no Pacífico, alimentando as tensões entre China e Estados Unidos e aliados.
    4/11/2022
    4:57

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