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  • Rendez-vous cultural - Coleção Morozov expõe tesouro da arte moderna na Fundação Louis Vuitton em Paris
    Considerado o grande acontecimento desta temporada das artes em Paris, a Fundação Louis Vuitton apresenta a coleção Morozov, uma das mais importantes do mundo da arte impressionista e moderna. Esta é a primeira vez, desde sua criação, no início do século 20, que esta coleção viaja para fora da Rússia. Cerca de 200 obras-primas da arte moderna francesa e russa dos irmãos Mikhail e Ivan Morozov estão expostas na fundação, assinada pelo famoso arquiteto Frank Gehry. Por Márcia Bechara, da RFI A exposição negociada foi diretamente com o Kremlin, um trabalho que consumiu mais de cinco anos, com um catálogo prefaciado pelos dois presidentes, Vladimir Putin e Emmanuel Macron. A curadora da exposição da coleção Morozov na Fundação Louis Vuitton em Paris, Anne Baldassari, se debruçou sobre a trajetória de Mikhail e Ivan Morozov, entre visionários e inquietos. "Os irmãos Morozov chegam a Paris com um olhar já formatado pelos pintores impressionistas. Eles estudaram pintura e conhecem os temas, eles já chegam sensibilizados por esta forma de arte que é revolucionária. Eles não abordam essa arte que está sendo construída como simples amadores, mas com uma acuidade que era própria destes mecenas", relata Baldassari. Três vezes adiada, por conta da Covid-19, a exposição da coleção Morozov é o acontecimento artístico desta temporada em Paris. A coleção foi fundada no início do século 20 pelos irmãos Mikhaïl e Ivan Morozov, ricos industriais moscovitas, cultos, apaixonados e ousados. Eles tinham 20 anos quando começaram a comprar obras de Manet, Monet, Cézanne, Gauguin, Bonnard e Van Gogh. Nacionalizada em 1918 após a Revolução Russa e dividida entre diferentes museus, a coleção atravessou os arranhões do tempo e da história, mas desembarcou em Paris cheia de glória.   O projeto da coleção Morozov, como relata a curadora, era coletivo, na Rússia do início do século 20. "Esse projeto coletivo, esse programa que visa criar um museu de arte francesa contemporânea – porque naquele momento não se tratava de modernidade, mas de arte contemporânea –, dedicado à educação do povo moscovita, é essencial. Suas preferências pessoais ficam em segundo plano. Eles tentam ser presentes na participação desse debate ao vivo, desta efervescência, e desejam ser exaustivos e sistemáticos com este objetivo", explica Baldassari. "Eles decidem seguir as filiações artísticas em voga e praticamente todas as escolas de pintura estão representadas na coleção. Ivan Morozov vai se dedicar a Gauguin, Cézanne, Bonnard, Denis, a filiação impressionista das cores, e as feras, com Matisse, Valtat, esta é verdadeiramente uma constelação muito importante", destaca. Cheirando a terebentina Contemporâneos de artistas como Cézanne e Matisse, em apenas 10 anos, os irmãos Morozov construíram uma coleção excepcional com a ideia fixa na organização de um verdadeiro programa, um museu destinado a promover a arte moderna e francesa na Rússia. "As obras que eles adquirem naquele momento acabaram de ser pintadas, é sempre bom lembra disso. Elas saem dos ateliês dos artistas para serem penduradas nos grandes salões de arte da época. Por exemplo, o primeiro Matisse comprado por Ivan Morozov é apresentado no salão de 1907, o quadro ainda cheira a pintura fresca e terebentina", diz Anne Baldassari. "Estamos no momento em que a pintura acontece, as escolas, as filiações artísticas, todas essas questões que hoje nos parecem acadêmicas, para os colecionadores era um combate, um verdadeiro debate na cena parisiense. Não se tratava para eles de uma espécie de 'bom gosto', mas de construir um museu", detalha a curadora. A exposição da coleção Morozov na Fundação Louis Vuitton traz um olha específico  sobre o conjunto da obra de certos artistas, com salas especiais.  "A sala Gauguin é muito importante em número de obras, mas também a sala Cézanne. Porque é com Cézanne que Ivan Morozov tem o choque inicial do impressionismo", analisa a curadora. "Até esse momento, ele se contentava em seguir os passos de seu irmão, Mikhail, que morreu muito jovem mas conseguiu criar uma matriz dessa coleção, com Manet, Degas, Monet, Bonnard, e depois os primeiros Van Gogh e Gauguins que entraram na Rússia. Escolhas muito corajosas para época, quando estes artistas ainda estavam escondidos nas sombras mais completas", conclui Baldassari. A coleção Morozov fica em exposição na Fundação Louis Vuitton em Paris até 22 de fevereiro de 2022.
    10/8/2021
    6:03
  • Rendez-vous cultural - Mulheres dominam temática de filmes brasileiros no Festival de Biarritz
    O Festival Biarritz América Latina, no sudoeste da França, chega à 30ª edição como um dos maiores eventos na Europa dedicados à cultura e ao cinema latino-americanos. O Brasil é representado por quatro filmes em competição, todos eles centrados em personagens mulheres. Daniella Franco, enviada especial da RFI a Biarritz Neste ano, o país homenageado é o Peru. Dez produções do país são exibidas durante o festival, que conta também com uma retrospectiva do documentarista chileno Ignacio Agüero. Dez longas de ficção, dez documentários e onze curtas-metragens, vindos de toda a América Latina, do México à Argentina, passando, claro, pelo Brasil, integram a competição oficial. Na categoria ficção, concorrem “Capitu e o Capítulo”, de Julio Bressane, e “Madalena”, de Madiano Marcheti. Na categoria documentário, está “Edna”, de Eryk Rocha, e “Igual/Diferente/Ambas/Nenhuma”, de Adriana Barbosa e Fernanda Pessoa, que disputa o prêmio de curta-metragem. No total, mais de 100 cineastas, atores e produtores participam presencialmente do festival. Ainda reflexo da pandemia de Covid-19, entre os representantes do Brasil, apenas Madiano Marcheti e Eryk Rocha puderam desembarcar em Biarritz. Histórias de mulheres “Igual/Diferente/Ambas/Nenhuma” mostra a relação de duas amigas - as autoras do curta Fernanda Pessoa e Adriana Barbosa - separadas pela pandemia de Covid-19. A obra exibe mensagens que as jovens trocaram em meados de 2020, momento crítico da crise sanitária, fazendo uma ponte entre São Paulo e Los Angeles, onde estão baseadas. “Para a gente, essa exibição em Biarritz tem uma importância ainda maior porque o nosso filme foi feito durante a pandemia e estreou durante a pandemia, no ano passado, no Idfa [International Documentary Filmfestival Amsterdam], numa versão híbrida, com sessões de cinema e online. Mas agora no Festival de Biarritz é a primeira vez que o filme vai passar apenas em salas de cinema, então a gente vai ter a certeza de que o público vai encontrar com o filme da forma que a gente imaginou”, afirma Fernanda. “É um grande privilégio ser parte desses filmes selecionados para serem exibidos em Biarritz e para mostrar os filmes latinos em outros territórios. Mostra o quanto essas histórias têm que ser compartilhadas além das fronteiras. É uma bela janela para o cinema latino-americano, um sinal de que nossas histórias precisam ser contadas e têm uma audiência pronta para assisti-las”, reitera Adriana. “Madalena”, de Madiano Marcheti, trata do assassinato de uma mulher trans em uma fazenda de soja na região Centro-Oeste do Brasil. Na obra, o cineasta faz uma denúncia da banalização da transfobia e aborda também a devastação causada pelo agronegócio. "Eu sou do Mato Grosso, nasci e cresci lá. Eu queria que meu primeiro filme fosse sobre esse lugar e os impactos que esse modelo de desenvolvimento ligado ao agronegócio traz para a região, para a natureza e para a vida das pessoas que vivem ali. No processo de pesquisa e de escrita, eu e os roteiristas focamos na questão da transfobia, porque pensando no espectro de violência e preconceito na comunidade LGBT, as pessoas trans são as que mais sofrem", diz Madiano Marcheti. Em "Edna", de Eryk Rocha, que compete na categoria documentário, a personagem principal é uma sobrevivente da Guerrilha do Araguaia, movimento de resistência à ditadura militar no Brasil, na região amazônica entre o final dos anos 1960 e meados da década de 1970. Na obra, a paraense choca o espectador com as dramáticas experiências que vivenciou em uma das regiões mais violentas do Brasil, mas também seduz o público com seus inebriantes relatos, que misturam duras lembranças a sonhos e poesia. “A Edna é ela, mas representa milhares de mulheres no Brasil, na América Latina, no mundo. A história que Edna conta é a dela, mas, por trás, há uma multidão de histórias de outras mulheres, vítimas de violência, da opressão, do machismo, da ditatura militar no Brasil”, ressalta Eryk Rocha. “Capitu e o Capítulo” faz uma espécie de "distorção" da emblemática obra "Dom Casmurro", de Machado de Assis. Quem encarna esta que é a mais célebre personagem do escritor é a atriz brasileira Mariana Ximenes.   O Festival Biarritz América Latina se encerra no próximo domingo, 3 de outubro.
    10/1/2021
    8:54
  • Rendez-vous cultural - Paris exibe fotos dos anos 1920-1930 do Moma de Nova York
    O público parisiente tem uma oportunidade única para mergulhar em alguns dos tesouros fotográficos do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma. O espaço Jeu de Paume, na praça da Concórdia, está exibindo parte da chamada coleção Thomas Walther, comprada pela instituição americana em duas etapas, em 2001 e em 2017. Por Patricia Moribe O alemão Thomas Walther começou a colecionar nos anos 1970 imagens de um período muito especial da história da fotografia – o período entre as duas grandes guerras mundiais, em especial as décadas de 1920 e 1930. “Ele próprio era fotógrafo, mas logo viu que não teria uma carreira como tal pela frente. Com o dinheiro da família, ele começou a comprar fotos antigas, numa época em que os preços não eram tão altos como hoje. Então, com um pouco de dinheiro e muito talento e bom olho, ele construiu uma das coleções mais importantes sobre esse período”, conta Quentin Bajac, um dos curadores da exposição e diretor do Jeu de Paume. A fotografia já existia há um século, mas no começo serviu sobretudo como documentação iconográfica. É o que se pode ver em outra exposição, muito perto do Jeu de Paume, que é a “História das Fotografias”, no Museu de Artes Decorativas, prédio incrustrado no Museu do Louvre. Mas é a partir dos anos 1920 que ela vai conquistando outros espaços. É a época das vanguardas no mundo das artes, com quebra de paradigmas da arte representativa. E a fotografia se revelou, concretamente, em um dos meios de expressão mais explorados e flexíveis para os artistas. “Após a Primeira Grande Guerra, nos anos 1920, a impressão é de que a fotografia renasce. De repente ela vira sinônimo de modernidade, pois ela é mecânica, é rápida, eficaz, fiel à realidade. Ela pode ser uma arte democrática, ao alcance de todos, e não só para os que passaram pelas escolas de Belas Artes. Ela também foi impulsionada pelo cinema, que estava nascendo no momento. Outras alavancas foi a imprensa, com as revistas e a publicidade. Muitos dos fotógrafos expostos eram publicados por revistas em seus países. Bauhaus, um marco A coleção Walther traz a Paris 230 fotos principalmente de artistas experimentais europeus, como o russo Alexander Rodtchenko. Outro destaque presente na coleção vai para a mítica escola Bauhaus. “Trata-se de uma escola artística muito importante na época, que vai concentrar grandes talentos de todas as áreas; é a vanguarda não so no estilo, mas também no ensino”, explica Ève Lepaon, conferencista do Jeu de Paume. “O prédio da escola tem fachadas de vidro, que deixam a luz inundar os ateliês. Os alunos aproveitam todos os ângulos, perspectivas e pontos de vistas geométricos; as imagens traduzem a fascinação na época pelo movimento”, acrescenta. O aspecto urbano das grandes cidades oferece o cenário perfeito para os fotógrafos da época, lembra o curador Quentin Bajac: “Os fotógrafos aproveitam ao máximo as possibilidades visuais da arquitetura moderna. Os primeiros arranha-céus de Nova York e Chicago permitem pontos de vistas de alturas elevadas. Os russos, os alemães, passeiam pelas cidades e exploram arquitetura de ferro, de vidro, de transparências”. A exposição “Obras primas do Moma: coleção Thomas Walther” fica em cartaz até o dia 13 de fevereiro de 2022, no Jeu de Paume, em Paris.
    9/25/2021
    7:31
  • Rendez-vous cultural - Arco do Triunfo é “empacotado” em obra póstuma dos artistas Christo e Jeanne-Claude
    A partir deste sábado (18) até o dia 3 de outubro, o Arco do Triunfo, convergência de artérias de Paris, fica embrulhada por um material prateado. O projeto do empacotamento é assinado por Christo e Jeanne-Claude, casal irreverente que marcou o universo das artes plásticas nas últimas décadas. A dupla ficou principalmente conhecida por empacotar grandes monumentos, como a Pont-Neuf, de Paris, em 1985, e o Reichstag, sede do parlamento alemão em 1995. Eles também intervieram no Central Park, em Nova York, no Japao e na Italia. Eles nasceram no mesmo dia, 15 de junho de 1935 – Christo, na Bulgária, e Jeanne-Claude, no Marrocos, onde seu pai era um militar francês de família aristocrata. Christo Vladimirov Javacheff fugiu do regime comunista e chegou a Paris em 1958. Para ganhar a vida, fazia retratos a óleo da burguesia parisiense, enquanto paralelamente realizava seus trabalhos pessoais. O quadro de uma grande dama da sociedade levou Christo a conhecer sua futura mulher e cúmplice nas artes, Jeanne-Claude Denat de Guillebon. Em 1964 eles se mudaram definitivamente para os Estados Unidos. A partir de 1994, passaram a assinar as obras conjuntamente, como Christo e Jeanne-Claude. Ela morreu em 2009, de um aneurisma Em 2020, o Centro Pompidou de Paris dedicou uma retrospectiva à obra de Christo e Jeanne-Claude. A abertura estava prevista para março, mas foi adiada para julho, por causa da pandemia. Christo faleceu em maio, aos 84 anos, em Nova York, onde trabalhava no projeto do Arco do Triunfo.   A ideia do empacotamento começou quando Christo embrulhou um pote de tinta, envolvendo-o com resina e tela de linho. Depois, passou a embrulhar tudo e qualquer coisa. Ainda em Paris, sua primeira instalação, “Cortina de Ferro”, foi também um ato político e engajado, em 1962. Com barris de petróleo vazios e retrabalhados, ele fechou uma rua de Paris de madrugada, uma referência ao muro dividindo a Alemanha, que ele viu sendo construído. Depois interagiu com vastas paisagens americanas, já usando tecidos e cores. Em 1985, o artista embalou a famosa Pont-Neuf em Paris. A intervenção causou polêmica, muitos criticaram a ideia de "ocultar" um monumento histórico. Agora, é a vez do Arco do Triunfo. “Sempre fui um nômade. Fugi do comunismo, era um tempo difícil de se sobreviver. Eu já era estudante de arte, queria ir para Paris e consegui. A minha vida é a arte. A arte antes de tudo, liberdade total para a arte”, declarou Christo em 2016, ao jornalista José Marinho da RFI, durante uma mostra na Fundação Maeght, em Saint Paul de Vence, no Sul da França. As obras monumentais de Christo e Jeanne-Claude eram autofinanciadas – os artistas vendiam seus trabalhos para pagar os custos. O Arco do Triunfo, de 50 metros de altura, foi embrulhado com um tecido prateado e amarrado por 3 mil metros de cordão vermelho. Engenheiros e cordistas trabalharam 24h por dia para finalizar o projeto.   Laure Martin, historiadora de arte, supervisionou o projeto: “Usamos 25 mil metros quadrados de tecido, o que representa cinco campos de futebol. Precisamos também de 3 mil metros de cordão vermelho – é a distância que separa o Arco do Triunfo da pirâmide do museu do Louvre”. O embrulho parece agradar a maioria. Os turistas param para fotos, os franceses vão até ali para tirar fotos. O parisiense Jean Pierre aprova: “Eu amo o Arco do Triunfo porque sou francês e parisiense. Isso é arte, e assim sendo, provoca sempre reações positivas ou negativas. Eu aprovo. Eu vi quando ele empacotou a Pont-Neuf – acho que ela nunca foi tão admirada quando não podia ser vista. E agora é a mesma coisa, vamos prestar muito mais atenção no Arco do Triunfo agora que não podemos vê-lo". O Arco do Triunfo empacotado pode ser visitado até o dia 3 de outubro.
    9/17/2021
    6:53
  • Rendez-vous cultural - Passages Transfestival explode fronteiras e joga holofotes sobre criadores brasileiros na França
    Um festival engajado que, em 2021, mergulha na criação de artistas brasileiros para estabelecer pontes transculturais na discussão das artes cênicas, no coração de um país transcontinental – o Brasil – palco vivo de dilemas políticos, onde a criação é mais do que nunca ameaçada. Esse é o mote dessa edição do Passages Transfestival que celebra seus 25 anos na cidade de Metz, pólo cultural no leste da França. No cardápio, artistas brasileiros esquentam o chão da cena contemporânea com performances, teatro, balé e música. Entre eles, criadores como a coreógrafa Morena Nascimento, que assina junto a Lucas Resende o espetáculo "O Vento", com o balé da Ópera de Metz. A trajetória de Morena começou cedo na dança. Nascida em uma família de bailarinos e coreógrafos, a artista traz consigo uma experiência de 25 anos em palcos brasileiros e internacionais, com passagens por companhias renomadas como a alemã Tanztheater Wuppertal, de Pina Bausch. “Já faz algum tempo que venho me interessando muito pelo diálogo entre a dança contemporânea e a música contemporânea brasileira, feita no Brasil”, conta Nascimento. “Isso começou com um espetáculo chamado ‘Um jeito de corpo’ que coreografei para o Balé da Cidade de São Paulo, quando experimentei pela primeira vez um mergulho mais profundo em canções brasileiras do Caetano Veloso. A partir daí, fiquei interessada em explorar cada vez mais essa relação”, conta. Para “O Vento”, espetáculo que a coreógrafa estreia com o balé da Ópera de Metz, Morena decidiu seguir nessa linha de pesquisa com as músicas brasileiras, num diálogo com a vocação transdisciplinar do festival. “A maior inspiração, a maior ignição de criação desse trabalho são as músicas. É como se as músicas trouxessem o tom dramatúrgico do espetáculo, como uma espécie de paisagem ou de qualidade de sentimento, de intenções, de temperamentos para a cena”, detalha. “Todas as coreografias, todas as cenas, todas as transições de cena foram pensadas a partir das músicas escolhidas de várias épocas, que, acreditamos, traduzem muito bem um aspecto não só artístico mas também político e social do Brasil hoje”, diz a artista. “Eu sempre acreditei que a música brasileira conta a história do Brasil”, afirma. “Meu trabalho, assim como o do Lucas Resende, sempre foi pautado pela transdisciplinaridade. Dialogamos como várias camadas artísticas,  e acreditamos que todas elas num espetáculo de dança – seja luz, imagem, som, espaço, textos, subtexto, movimento ou corpo – tudo isso dialoga de uma maneira horizontal na obra”, avalia Nascimento. “Sobre a transcontinentalidade [do Passages Transfestival], acredito que trazer esse Brasil de hoje para a França é uma forma de diálogo, principalmente durante a pandemia, quando percebemos que pertencemos a um único mundo”, analisa. O performer e coreógrafo Volmir Cordeiro e o percussionista Washington Timbó trazem para a cena transcultural do Passages Transfestival a vulnerabilidade vivida por alguns corpos no espaço público com o espetáculo "Rua", que estreou em 2015 no Museu do Louvre, em Paris. “Junto com [Washington] Timbó, estamos preocupados em problematizar de fato que corpo está exposto à violência policial, ao machucado, às dores, e tudo o que está envolvido quando o corpo se expõe na rua, essa vulnerabilidade que é aparecer publicamente”, diz Cordeiro. “Mas, mais do que isso, a gente quer ver a rua como uma infraestrutura, um espaço que garante a possibilidade de manifestar e de existir como corpo. Estamos os dois expondo uma espécie de conflito transcultural, pelos nossos próprios corpos, pela dramaturgia que os nossos corpos expõem quando se encontram, mediados pelo tambor nessa peça, para abordar justamente essa questão do direito de existir como corpo e de se manifestar, colocando em xeque o conflito de nossos dois corpos ali na cena”, argumenta. Violência & Carnaval Volmir Cordeiro trabalha com a transposição de conceitos como festa e violência no espetáculo "Rua". “Convidei o Timbó para assistir as danças que estava criando a partir de poemas do Bertold Brecht do ‘ABC da Guerra’, com um ímpeto muito forte nas noções de humilhação, de violência, de dor e de guerra, de sangue, de ferida. Ele propôs então de trazer o atabaque para completar com energias de fogo, de vento e de água, elementos que ele reconheceu na cena. As batidas do Timbó vêm para intensificar a violência e a festa, e esse paradoxo que a peça busca abordar em cada cena, misturando sempre violência e carnaval, dentro dessa ideia de que não existe carnaval se não houver morte, assassinato. A mistura dessas duas energias é intensificada pela presença do tambor”, diz o coreógrafo e performer. Ele acredita que “certos corpos” seguem ameaçados no espaço público. “Tem essa ideia atrapalhada de ‘segurança’ que é produzida e veiculada pela direita e pela extrema direita de que precisamos de mais policiais, penalização e perseguição, sobretudo dos artistas na contemporaneidade”, avalia Cordeiro. “Poderíamos reverter esse ideia de segurança para um conceito mais amplo que garantisse abrigo, educação, cultura, arte, teatro, festa e também mecanismos de enfraquecimento da desigualdade. Quando conseguirmos sair da lógica da segurança que produz medo e que coloca o corpo nesse comércio da segurança. Isso tudo é capitalizado e cooptado por essa lógica policial”, afirma. "Feijoada" O bailarino ecoreógrafo Calixto Neto estreia em Metz o trabalho “Feijoada”, que também faz parte do Portrait Lia Rodrigues, coreógrafa brasileira homenageada este ano Festival de Outono da capital francesa.  “Considero o ‘Feijoada’ como um spin off [transposição, derivagem] do ‘Samba do Crioulo Doido’, essa peça que danço desde o ano passado do Luiz de Abreu, criada em 2004. Nesse trabalho, tem uma das cenas onde eu danço ao som de uma bossa nova, com uma receita de feijoada sendo falada em francês. Me interessou mergulhar nessa tensão criada por essa música alegre, essa apropriação que é a bossa nova, falando de uma feijoada. Em cena a gente vê um corpo negro, criando essa ligação entre a carne negra e a carne que faz a feijoada”, diz Neto. “O ‘Feijoada’ é então um mergulho nas características dessa cena, da alegria e da violência que compõem o nascimento desse prato e até mesmo a nossa história no Brasil”, analisa o coreógrafo. “É uma peça que tem um tripé composto por uma roda de samba, que toca ao vivo; uma feijoada, que vai ser feita durante as duas horas da performance, e convidados que vão aparecer e desaparecer em momentos específicos, para dizer alguns textos”, antecipa Calixto. “É  uma roda de samba diferente, com um repertório que é pensado em função da preparação dessa feijoada e em função dos textos que são ditos. Acredito que para nós, brasileiros, será também algo bem especial”, afirma. O Passages Transfestival com foco na criação de artistas brasileiros fica em cartaz na cidade de Metz até o dia 12 de setembro.
    9/3/2021
    7:49

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