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  • Brasileira na Suécia acolhe família ucraniana e relata aprendizados da experiência
    Os caminhos da escritora brasileira Ilana Eleá e da jornalista ucraniana Olena Galaguza se uniram há cerca de dois meses. Baseada na Suécia há 11 anos com a família - e com filhos nascidos no país nórdico - Ilana sofria ao ler notícias da guerra, que começara havia pouco, e se perguntava como ajudar ativamente o povo ucraniano. Até que um dia seu marido, Johan, viu um anúncio que mudaria o destino de sua família.  Por Paloma Varón, para a RFI  "No início da guerra, eu fiquei mal, lia obsessivamente as notícias desta guerra absurda que acontece aqui 'do lado e cheguei a chorar por semanas. A gente tem uma casinha idílica no jardim que costumava alugar. Assim que o estudante que a ocupava deixou a casa, meu marido leu no LinkedIn que uma empresa tinha acabado de contratar uma jornalista ucraniana e que ela precisava de um lugar para morar, para ela, sua mãe e sua filha, de seis anos. Foi aí que a gente pensou: 'Aqui a gente pode ajudar'", conta Ilana, que também tem uma filha de seis anos, além de um menino de dez.  Ilana relata o inesquecível primeiro contato com a família que acolheu: "Eu nuca vou esquecer quando a van, com placa da Polônia, aqui chega, com refugiadas da guerra, e na hora em que a porta abre, Lina, maravilhosa nos seus seis anos, com um bichinho de pelúcia na mão, começa a correr com um sorriso incrível, começa a querer explorar já aqui na rua, os montes verdes, e me diz: 'Hello'. Quando eu olho, muito emocionada; eu vejo que cada uma vem com apenas uma bagagem de mão, mas com uma dignidade e um sorriso que eu nunca vou esquecer." Olena sabe que tirou a sorte grande: "Nós somos muitos sortudas de tê-los como anfitriões e de sentir a ajuda sincera deles. Ilana sempre pergunta como ela pode ajudar com esta guerra em meu país. Ela faz questão de estar ali, de fazer amizade com a gente, e é tão maravilhoso que a minha filha que não fala sueco nem inglês possa se comunicar com a filha de Ilana, elas são amigas, parecem irmãs". Assim como a maioria dos refugiados de guerra, o caminho de Olena e sua família foi longo e tortuoso até chegar a Estocolmo, em 29 de março. Elas deixaram a cidade de Zhytomyr e passaram por várias localidades na Ucrânia até chegar na Polônia, primeiro país que as acolheu. Mas ela tinha um objetivo: voltar a ter um trabalho, uma rotina. "Eu vim para a Suécia por uma única razão: eu achei um trabalho aqui. Quando eu estava na Polônia, eu mandei meu currículo para diferentes empresas e a primeira que concordou em cooperar com a minha situação de refugiada foi a Megadeals. E foi realmente um bom negócio para mim vir para a Suécia. Eu sou muito grata a Ilana e seu marido Johann, que me ajudaram muito com a casa, porque eu sei que é muito difícil achar um lugar para morar em Estocolmo", conta Olena.  Mesmo chegando com emprego e tendo uma casa para morar, Olena tem de lidar com outras questões ligadas à imigração, mas, quando se trata de refugiados, elas são ainda mais específicas.  "Quando eu vim para a Suécia, e já tem quase dois meses, eu me dei conta de como é tremendamente difícil lidar com a burocracia quando se é refugiado. Eu ainda não tenho um número de identidade pessoal – e refugiados têm o chamado número de coordenação. O escritório de imigração perdeu minha foto e impressões digitais, que são obrigatórios para a biometria. Nós estamos bem, mas essa espera para ter direito a um número de identidade, uma vaga na escola é desgastante e estressante", diz.  Seu ex-marido e pai de sua filha ficou na Ucrânia, onde luta contra a invasão russa, mas se comunica com elas por vídeochamada. Nas ligações, Lina mostra a sua nova casa, o jardim e sua amiga Liv.  Ao falar sobre seus planos daqui para a frente, Olena se emociona: "Quando você vive em paz, você faz planos para a sua vida. Mas quando a guerra chega ao seu país, é muito difícil de prever o dia de amanhã. No meu primeiro dia na Suécia, ainda estava no escritório de imigração, eu recebi uma chamada para avisar que o meu melhor amigo tinha sido morto. Foi um choque enorme para mim".   Mas a jornalista disse que pretende aprender sueco e se desenvolver no país de asilo, pois não sabe quando poderá voltar à Ucrânia. O próximo desafio é adaptar sua filha, que acaba de conseguir uma vaga na escola. "Eu respeito a Suécia e sua cultura, e o respeito é mútuo, diferentemente da Rússia; que odeia os outros", declarou.  Para Ilana, as crianças - as suas, a Lina e as do bairro - ajudaram na integração da família."Desde os primeiros dias tem um laço muito forte sendo trançado pelas nossas famílias e uma das chaves são as crianças". Ela contou à RFI histórias interessantes, como a alegria do filho Dante, de dez anos, quando conseguiu a carta da Ucrânia - muito disputada na Suécia - num álbum que ele coleciona e, a primeira coisa que fez foi corer para oferecer à sua amiga Lina; ou que seus filhos paravam de jogar videogames de guerra quando Lina entrava na sala.  "Um dia, a Lina chega para mim e me diz 'telefone' - ela pede para usar o Google Translate quando não consegue se comunicar por gestos. Eu dou o meu telefone para ela, que grava uma mensagem e abraça a minha filha, Liv. Quando eu vejo a tradução, ela tinha dito: 'A Liv é como uma irmã para mim", conta Ilana, emocionada.  Além disso, Ilana diz que ter aberto as portas de sua casa para uma família ucraniana lhe traz aprendizados diários. "A convivência com elas traz aprendizados em muitos níveis. Penso que seja possível recomeçar mesmo com esses estilhaços na alma, que as crianças são dínamos de paz, que democracias estão sob ameaça, que fake news são pragas indomáveis, que linhagens de mulheres não querem e não fazem a guerra, essa linguagem do horror não nos pertence. E que redes de afeto são formas de luta e de resistência, mesmo que singelas", completa a escritora, que teve a sua história de acolhimento de refugiadas contada no jornal sueco Söderort.
    5/21/2022
    5:19
  • Casa do Brasil de Lisboa comemora 30 anos de existência
    A Casa do Brasil chega a três décadas de atividades como a maior associação da comunidade brasileira em Portugal, onde residem, legalmente, cerca de 210 mil brasileiros, que representam a maior comunidade migrante no país. Para os próximos anos, um dos desafios da Casa do Brasil de Lisboa é ser um espaço de todas as nacionalidades.  Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa Associação de imigrantes sem fins lucrativos, a Casa do Brasil de Lisboa foi criada em 1992 por um grupo de brasileiros e portugueses que discutiam a regularização dos profissionais que chegavam do Brasil. Eram “publicitários, dentistas, que tinham essa dificuldade de reconhecimento da profissão” em Portugal, conta Cyntia de Paula, presidente da Casa.  Desde então, a grande missão da Casa do Brasil é a garantia de direitos às pessoas migrantes de todas as nacionalidades. Além disso, a associação tem um trabalho muito forte na “luta contra todos os tipos de discriminação, contra o racismo, a xenofobia e outros sistemas opressores como o machismo, a LGBTfobia e tantos outros”, destaca de Paula. Orientação e encaminhamento A sede da Casa do Brasil fica no Bairro Alto, localizado na parte antiga e central da capital portuguesa. Tem quase 6 mil associados e atende cerca de 2 mil pessoas por ano. Para isso, conta com nove funcionários e quinze voluntários. Parte da equipe trabalha no Gabinete de Orientação e Encaminhamento (GOE), criado para ser fonte de informação segura para quem chega a Portugal. O gabinete "auxilia a pessoa migrante que chega e que precisa de informações mais variadas para desvendar o que é ser imigrante”, diz Cyntia. O GOE oferece, por exemplo, informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas em Portugal, além de orientar migrantes a como ter acesso a serviços de saúde, educação, segurança social e muitos outros. Apoio ao emprego Para os migrantes que buscam trabalho, a Casa do Brasil também dispõe do Gabinete de Informação Profissional (GIP). “Além de ajudar a entender o mercado de trabalho português, [o GIP] auxilia na busca de vagas, na elaboração de currículos, na preparação de entrevistas de trabalho, faz esse match com as empresas, também com formações, diálogo com as ordens profissionais”, explica a presidente da associação. Ativismo Para garantir os direitos das pessoas migrantes, a Casa do Brasil de Lisboa organiza sessões informativas, promove campanhas e reuniões e cria muitos projetos que contribuem para a integração, como o que orienta brasileiros que estão no Brasil e que planejam migrar, e o que promove o combate ao discurso de ódio. Cyntia de Paula também chama a atenção para o que a associação tem feito no campo do ativismo. "Há toda uma participação em termos de reivindicações políticas, de melhoria para a vida das pessoas migrantes, desde que nos posicionarmos nas questões dos feminismos, do racismo e das múltiplas discriminações como um todo, desde o nosso diálogo muito constante com os diferentes governos que já passaram nesses 30 anos da Casa do Brasil”, resume a presidente da associação.  Cyntia lembra que, em 2003, a Casa teve um papel muito importante no que ficou conhecido como “Acordo Lula”. “Foi um ato de ativismo e de lobby. Foi um acordo que possibilitou que mais de 20 mil pessoas do Brasil se regularizassem porque, nessa época, ainda não tínhamos uma lei de migração, em Portugal, nos moldes em que temos hoje.” Vertente artística No campo das artes, a Casa tem procurado ser um espaço de acolhimento e convívio de pessoas que trabalham com diversas manifestações artísticas. Tem sido palco para sessões de filmes, exposições, trabalhos literários e aulas de dança. “Todas as semanas temos aulas de forró, de samba, de expressão corporal, de salsa”, completa Cyntia, que faz questão de esclarecer que a programação da Casa “não está focada na cultura brasileira; ela está focada na cultura como um todo. “ Mudanças Nos últimos anos, a Casa do Brasil de Lisboa tem passado por mudanças, inclusive com a presença mais forte de mulheres na equipe de trabalho, o que, segundo a presidente da associação, tem sido muito importante “porque temos trazido um olhar na perspectiva de gênero”. Cyntia de Paula é a terceira mulher a presidir a Casa desde a sua criação. Além de mais espaços ocupados por mulheres, a Casa do Brasil também ganhou um novo modelo de atendimento, que permite chegar aos migrantes que vivem longe de Lisboa. “Construímos um atendimento à distância, que antes não tínhamos. Ou seja, a pessoa já não precisa vir, necessariamente, à nossa sede. Já fazemos atendimento via e-mail, via telefone, via WhatsApp, via Zoom”, afirma de Paula, com entusiamo. Desafios Há quatro anos na presidência da Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia reconhece que há desafios para o futuro. Um deles é reforçar o apoio para o surgimento de mais associações, para que haja mais coletivos. "Poderia ser muito mais, muito mais movimentos associativos pelo país afora", vislumbra.   De Paula também planeja tornar a Casa um espaço forte de presença de migrantes de todos os cantos. “Eu quero que a Casa seja um espaço de representação de todas as pessoas. Não só brasileiras. Que as pessoas possam ver a Casa como, também, um espaço do seu trabalho, da sua luta, e de todas as lutas. Que o movimento feminista, que o movimento LGTBQIA+, que o movimento antirracista e outros também encontrem dentro da Casa o seu lugar. Eu acho que esse também é um grande desafio para os próximos anos”, pontua.
    5/15/2022
    5:48
  • Livro revela dificuldades de brasileiras durante a pandemia da Covid-19 em Portugal
    “Gênero e imigração: retrato das brasileiras em Portugal durante a pandemia da Covid-19” é lançado neste domingo (8), na Casa do Brasil de Lisboa. O livro foi escrito por 15 brasileiras que moram no país e relatam a experiência que tiveram como voluntárias na Rede Solidária da plataforma Geni, uma iniciativa sem fins lucrativos, que trabalha na promoção do empoderamento e na garantia dos direitos das mulheres.    Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa Organizadora do livro e fundadora da plataforma, Ana Paula Costa conta que a publicação reúne temas que estiveram presentes nas vivências de muitas mulheres brasileiras durante os primeiros meses da pandemia em Portugal: saúde mental, racismo, acesso aos serviços, maternidade, sororidade e redes sociais.  De março a junho de 2020, a Rede Solidária deu assistência psicológica, ajuda financeira e apoio social a cerca de 200 brasileiras imigrantes. “Vimos que as mulheres brasileiras ficaram muito ansiosas e preocupadas com a situação, com o que iria acontecer com elas e com as suas famílias, tanto aqui, em Portugal, como no Brasil”, lembra Costa. Especialistas em marketing, estudantes de mestrado e doutorado, cientistas políticas e psicólogas - brasileiras que já residiam em Portugal há cinco ou dez anos integraram a rede de apoio. Elas se dividiram em três grupos: um de psicólogas, um de mulheres responsáveis por doações e um terceiro encarregado do apoio social. "Preciso trabalhar e não tenho com quem deixar a minha filha. Alguém pode me ajudar?", relata Ana Paula ao falar sobre os pedidos de ajuda que o grupo recebia por meio de formulários online. Entre elas, a maioria estava em situação irregular. “Havia mulheres que tinham chegado em Portugal há um ou dois meses”, recorda-se a organizadora do livro, publicado pela editora In-Finita. Também recorreram à Rede Solidária muitas mulheres que perderam o emprego ou cujo marido ou companheiro havia perdido a renda durante a pandemia. O fechamento de milhares de postos de trabalho no país, principalmente no setor de restaurantes e turismo, empurrou muitas brasileiras para o desemprego. “Com isso, não tinham como pagar o aluguel, nem como comprar comida”, relembra Costa.  Lições Neste contexto difícil, a demanda maior era por assistência psicológica. “Mas tem mulheres que dividiam casa ou quarto. Como se faz atendimento online, sem a menor privacidade? O livro vai contando essas nuances”, diz  a organizadora da obra.  As 15 escritoras do livro ouviram os mais variados relatos sobre os problemas financeiros enfrentados pelas compatriotas durante a pandemia. A Rede Solidária "não tinha como resolver a questão do trabalho, mas conseguia, por exemplo, pagar o aluguel ou o gás do mês", conta Costa. Quando o trabalho da Rede Solidária foi concluído, o grupo sentiu a necessidade de registrar essas memórias. “Nos demos conta do quanto esse momento foi único," revela a fundadora da plataforma Geni. “Nós podemos ser solidárias umas com as outras, e podemos, de fato, criar coisas muito bonitas mesmo a partir de experiências difíceis.”
    5/8/2022
    5:47
  • Para humoristas brasileiros, participar do festival "Netflix is a Joke" foi marco na carreira
    Um dia após Dave Chappelle, um dos humoristas mais famosos da atualidade, ser agredido durante uma apresentação em Hollywood, em 3 de maio, uma dezena de comediantes brasileiros participaram do mesmo festival e lotaram duas sessões com piadas em português. Tanto o show dos brasileiros quanto o de Chappelle são parte do festival "Netflix is a Joke" (Netflix é uma piada, em tradução livre), que começou no dia 28 de abril e vai até este domingo (8). Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles A programação conta com mais de 280 eventos em 30 locais da cidade, que vão desde os maiores estádios, como Dodger Stadium, Forum, Arena Crypto.com e Hollywood Bowl, até os principais teatros de Los Angeles. Segundo a Netflix, "este é o maior festival de comédia do planeta – provavelmente". Dentre os dez brasileiros, cada um com seu estilo, estão alguns dos nomes mais cancelados e polêmicos da comédia (se é que isso não é redundante); além de uma mescla de artistas que moram no Brasil e nos Estados Unidos. Bruna Louise, Carol Zoccoli, Diogo Portugal, Fabiano Cambota, Léo Lins, Rafinha Bastos, Manu Maciel, Maurício Meirelles, Murilo Couto e Rodrigo Marques subiram ao palco do famoso Laugh Factory, uma tradicional casa de shows por onde já passaram artistas como Jerry Seinfeld, Chris Rock, Ellen DeGeneres, Eddie Murphy, Jay Leno, David Letterman, além de outras centenas de lendas da comédia. "Eu acho que é um marco da comédia brasileira poder entrar pela primeira vez em um festival desse tamanho, com esta importância", contou à RFI o goiano Fabiano Cambota. "Eu prefiro achar que é um marco porque estou participando", explicou. "Se fosse um outro, eu diria que não é tanto, mas, como sou eu, quero muito valorizar tudo o que está acontecendo, porque estou achando o máximo estar aqui", disse Cambota, em tom de piada. Profissão de risco Nesses tempos em que comediantes têm sido agredidos no exercício da profissão, os brasileiros não se sentem intimidados ao se expressar no palco. No show, tudo pode virar piada na boca deles, inclusive os processos judiciais que vários dos humoristas carregam nas costas. Aliás, eles citam as denúncias até como um tipo de certificação. Quem não quiser se expor a isso, como dizem os comediantes, melhor nem pagar o ingresso. "O processo para o humorista é uma espécie de OAB, se você não tem um processo, não é aceito no grupo de humoristas", brinca Cambota, que já foi denunciado. "A gente tem aprendido a tirar isso um pouco de letra, porque na grande maioria dos casos, a gente tem ganhado (os processos)", diz. "As pessoas entenderam que não é só uma questão de liberdade de expressão, (...) às vezes é uma brincadeira que é muito menos dolorosa do que um comentário sério, do que uma exposição da notícia", destaca o goiano. "Às vezes, um comentário bem-humorado quebra toda a gravidade de um problema, e a gente precisa aprender a lidar com isso." Mas, nem todos aceitam a ironia. Em pouco mais de um mês, dois casos estremeceram Hollywood. O soco de Will Smith em Chris Rock, no Oscar, levantou novamente a discussão de se há limite para a piada. Tanto Maurício Meirelles quanto Léo Lins – outros dois humoristas que colecionam processos – estavam no Hollywood Bowl, na última terça-feira (3) e presenciaram o momento em que um homem subiu ao palco e derrubou o astro do stand-up, Dave Chappelle. "Se não era uma profissão de risco, já virou, inclusive, talvez, pior do que no MMA, porque aí você sabe que alguém vai subir ali para te bater, e no show de humor não", diz Lins. "As pessoas criticam as piadas, falam que o humorista é um animal e acho que a gente terá de ser tratado igual a animal mesmo, vai ter que colocar uma grade na frente do palco para isolar o comediante", afirma. Para Meirelles, as agressões aos humoristas são uma consequência do que acontece hoje nas redes sociais. "É uma galera que não consegue aceitar o contraditório e precisa partir para cima", estima o brasileiro. "O pior para mim não é o cara que parte para cima, baseado no impulso errado", pondera. "O que me incomoda mais são as pessoas que estão em casa, conseguem refletir sobre o assunto e continuam corroborando isso", diz. "Depois vêm criticar político x e y, sendo que fazem a mesma coisa", constata. "Para mim, o problema é corroborar a violência", afirma Meirelles. Mulheres no palco e o público brasileiro As mulheres ainda são minoria nesse meio, mas estão conquistando os maiores palcos da comédia e fazendo bonito. Três brasileiras fazem parte do time de comediantes do "Netflix is a Joke": Bruna Louise, Manu Maciel e Carol Zoccoli. Manu e Carol moram nos Estados Unidos. "Parece que a gente tem que provar que a gente pode estar ali", conta Carol Zoccoli. Ela recorda que quando começou no Brasil, era uma das únicas mulheres em cena e teve que aprender a lidar com os hecklers, "o cara da plateia que grita". "Aconteceu de eu chegar no show e dizer 'boa noite', e o cara gritar: chata", recorda Zoccoli. Hoje, ela diz ter adquirido uma força interna para enfrentar essas situações desagradáveis.  Tanto a realidade brasileira quanto as comparações com a vida nos Estados Unidos estiveram nas piadas dos comediantes, que adaptaram seus shows para um público que mora fora do país, mas que tem as mesmas referências. Pessoas que podem ter perdido os laços com o Brasil, mas que reagem às piadas. É muito difícil ver um show americano tão animado. Com cerca de 300 espectadores em cada sessão, os aplausos se expandiram e eles deixaram, sem dúvida, a noite hollywoodiana mais leve. "Eu vi o Dave Chappelle, o Chris Rock também estava lá naquele fatídico momento, eram 18 mil pessoas", conta Meirelles, que considera Chappelle "o maior cara do mundo". "O nível de comédia do cara é mil vezes melhor, mas o público, a energia do brasileiro é uma outra parada", diz com admiração. "Você consegue entender aquela frase do roqueiro que vai ao Brasil e fala: 'cara, eu adoro fazer show no Brasil'. "A gente tem uma parada muito especial", conclui Meirelles. Estrelas internacionais Além de shows de comédia e stand-up, o festival trouxe ainda conversas, gravações de podcast, leituras de roteiros e outras performances. Dentre os astros do evento estão de Kevin Hart, Larry David, John Mulaney, Tina Fey e Amy Poehler, David Letterman, Pete Davidson, Amy Schumer, Jane Fonda e Lily Tomlin, Wanda Sykes, Patton Oswalt, Conan O'Brien, Margaret Cho, Bill Burr, entre outros. Alguns desses shows serão gravados para transmissão na Netflix, incluindo a apresentação de Gabriel “Fluffy” Iglesias fazendo história ao se tornar o primeiro comediante de stand-up a se apresentar no Dodger Stadium.
    5/7/2022
    5:00
  • "As pessoas querem consumir de forma responsável", diz carioca dona de brechó infantil em Marselha
    A pandemia de coronavírus fez muita gente mudar de hábitos e imaginar o futuro de outra forma. A estilista brasileira Natalia Cordeiro tinha acabado de se instalar em Marselha, no sul da França, quando as restrições da Covid-19 alteraram seus planos. Em vez de desanimar, a carioca aproveitou a epidemia para amadurecer o projeto de abrir uma loja de roupas de segunda mão para crianças e adolescentes. Natalia participa do movimento para tornar a moda um setor sustentável. Com o "fim" da pandemia, Natalia Cordeiro sente que as pessoas estão mais abertas à procura de produtos locais e artesanais, para consumir de maneira responsável. "Eu acho que as pessoas utilizaram muito a pandemia para refletir, para uma tomada de consciência, e vi uma janela que se abriu para mim", conta. Em fevereiro deste ano, ela abriu a butique Le fabuleux destin (O fabuloso destino, em tradução livre) em uma charmosa rua comercial do centro de Marselha, em frente ao Palácio de Justiça. As roupas de segunda mão, os calçados e acessórios que já tiveram uma vida útil antes de chegar às araras e prateleiras do brechó vestem desde bebês até adolescentes de 16 anos. A loja fica em uma área que passa por um processo de reabilitação de edifícios antigos. Nas ruas adjacentes ao teatro da Ópera de Marselha, prédios de habitação, escritórios, cafés, restaurantes e butiques de marca atraem moradores e turistas. Desde que se mudou para Marselha, há três anos, Natalia acompanha uma outra transformação na cidade: a chegada de pessoas que deixaram a cinzenta região parisiense em busca do sol característico do Mediterrâneo. "No condomínio onde eu moro, o número de parisienses que desceram para o sul é muito grande", diz Natalia. "Eles largaram o emprego assalariado que tinham em Paris e vieram para cá montar um negócio", afirma. Planejamento para enfrentar burocracia Para abrir sua empresa na França, Natalia procurou ajuda especializada, planejou cada etapa e não desanimou diante das dificuldades. A brasileira confirma a fama que os franceses têm de adorar uma burocracia. "O Brasil tem muita burocracia, mas a França tem mais, muito, muito, muito mais; foi minha principal dificuldade, eles adoram um papel", conta a carioca. Ela venceu esse desafio fazendo pesquisa de mercado, lendo publicações para compreender a legislação e não hesitou em contratar um advogado especialista em direito comercial para orientá-la. O marido, que trabalha na área de finanças, também teve um papel fundamental ao ajudá-la na elaboração do business plan (plano estratégico de negócios). Muitos brasileiros que moram em Marselha dizem que a cidade mediterrânea é a que mais lembra a realidade brasileira, principalmente o Rio de Janeiro. A designer carioca confirma essa percepção. "Estar em Marselha me ajudou muito", recorda. "As pessoas são mais abertas, é mais quente, tem a praia, o mar e o trânsito é uma bagunça infernal como no Rio", diz Natalia, com um grande sorriso no rosto.  Marselha não tem o pôr-do-sol com vista do Arpoador, mas a cidade também tem seu cartão postal para esse horário especial do final do dia. O pôr-do-sol no Mediterrâneo pode ser visto do alto da colina da basílica Notre Dame de la Garde, que protege os pescadores do Vieux Port.
    4/30/2022
    10:18

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