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BRASIL- AMÉRICA LATINA

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  • Panamá: Inflação, corrupção e escassez de alimentos motivam protestos, relata brasileira
    “Buenos días, Panamá!” É da varanda com vista para a Cidade do Panamá que todos os dias a goiana Viviane Naves saúda seus seguidores de uma rede social. Deste ponto privilegiado da capital panamenha ela usa o humor para se conectar com o país onde chegou em 2020, em plena pandemia da Covid-19. Também é de lá que agora ela acompanha as manifestações que, nas últimas semanas, vêm agitando este país da América Central. Por Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas A insatisfação que tomou conta das ruas de diversas regiões e da capital panamenha começou a ser sentida logo após o fim do confinamento e foi motivada principalmente pelo alto custo de vida. “Após esse período de euforia por recuperar a vida normal do cotidiano, começou essa sensação de que tudo estava caro, da falta de alimentos nos supermercados pela dificuldade de chegar [a mercadoria aos estabelecimentos]. Havia uma sensação de dificuldade de trabalho, das pessoas conseguirem dinheiro”, ela lembra. Neste país onde o Produto Interno Bruto (PIB) per capta é de US$ 14,5 mil, de acordo com o Banco Mundial, o desemprego chega a 10% e a informalidade gira em torno de 50%, informa a Contraladoria Geral do Panamá. E com a economia dolarizada, o custo de vida é bastante alto. “A comida aqui é muito cara. O custo de vida no Panamá é bem caro. Isso me assustou muito no início. Desde o início eu sentia essa preocupação [por parte do povo].” O recente fenômeno da inflação no Panamá fez com que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chegasse a 5,2% em junho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa pode ser moderada se comparada com a de outros países, mas vem pesando no bolso das famílias. A alta mais significativa foi a de 40% no preço da gasolina durante o primeiro semestre de 2022. “O que eu vejo que deixa mais cara a condição de vida é a comida e os remédios. Então veio a guerra na Ucrânia e o preço da gasolina aumentou muito por aqui, de uma hora para outra. Isso foi muito forte”, destaca Viviane. Indígenas Por causa da distância entre as zonas agrícolas e as cidades de médio e grande portes, o preço do combustível, que não é produzido no Panamá, gerou um efeito dominó. “Tudo ficou mais caro ainda porque muitos alimentos vêm de caminhão da região de Chiriqui (a cerca de 420 km da Cidade do Panamá), onde há produção de café e de muitos tipos de produtos. Tudo ficou mais caro e isso também pesou muito para os produtores.” Uma das principais forças desses protestos sãos os indígenas, muitos deles detentores de terras em determinadas áreas do Panamá. Ao lado dos produtores de alimentos, eles têm sido a principal pedra no sapato do governo de Laurentino Cortizo. Por causa da pressão social, o presidente, que chegou ao poder em julho de 2019, decidiu congelar em US$ 3,25 (cerca de R$ 16) o preço do galão da gasolina, que antes chegou a custar US$ 5. Junto com o anúncio feito nesta terça-feira (26) estão subsídios a outros produtos, como o arroz e o atum. Os sindicatos e outras associações não ficaram satisfeitos com as medidas. Eles também pedem a redução do preço dos alimentos, energia, remédios, e o aumento do orçamento da Educação, além do combate à corrupção, o que continua motivando os protestos. As perdas estimadas por causa das manifestações e paralisações das últimas semanas superam a quantia de US$ 500 milhões. “Da [minha] varanda dá para ver os protestos. Eu vi o caminho que eles [os manifestantes] estavam fazendo e desci para me juntar ao protesto. Foi quando eu encontrei o humorista Kenny Dancer, que faz muito sucesso aqui com a personagem ‘La Ministra’”, conta a ex-fisioterapeuta que agora trabalha como tradutora e produtora de conteúdo. “São pessoas que estavam com muita raiva principalmente pela corrupção que existe dentro do Panamá, dos partidos políticos. Nos protestos as pessoas reclamavam muito dos subsídios que os políticos têm até para bebidas alcoólicas. Eles recebem garrafas de rum! Esse tema foi muito forte dentro dos protestos”, ela explica. Corrupção Além de ser um paraíso fiscal, o Panamá também carrega outra fama: a de ser um dos países mais corruptos do mundo. Em 2016, a investigação jornalística intitulada de Panama Papers denunciou um gigantesco esquema de corrupção articulado pelo escritório de advocacia Mossack Fonseca, então sediado na capital panamenha, junto a governos, autoridades e empresas de todo o mundo. Apesar das medidas e do início dos diálogos do governo com os grupos de opisição, ainda há manifestações no país. “Os protestos ainda continuam, mas não tem mais bloqueios de estradas. Houve um acordo com o governo na última mesa de diálogo. Alguns itens básicos, 72 de uma lista proposta ao governo, ainda não foram aprovados. Então eles ainda estão brigando, mas as principais vias não estão mais fechadas. Já está chegando mercadoria na Cidade do Panamá e nas províncias também”. Viviane, que já morou no Peru e em Cuba, além de desejar “Buenos días, Panamá”, também faz votos de um futuro melhor ao país que a acolheu: “O Panamá é um país lindo, rico e que merece dar uma melhor qualidade de vida a toda sua população. Eu espero que esses protestos, que esse anseio da população e dos meus amigos que querem um país melhor, consigam [resultados]”.
    7/30/2022
    5:00
  • Voluntariado é caminho para adaptação no exterior, dizem brasileiras no México
    Brasileiras que vivem no México realizam trabalhos voluntários para diferentes organizações. Além de apoiarem causas importantes, elas contam que a atividade ajuda na familiarização com a vida fora do Brasil. Larissa Werneck, correspondente da RFI no México Em uma busca rápida na internet por programas de voluntariado no exterior, é possível encontrar uma grande quantidade de projetos e organizações que realizam trabalhos voluntários em diferentes regiões do mundo, que oferecem às pessoas a possibilidade de contribuir para ações que vão desde o desenvolvimento de comunidades desfavorecidas até programas de proteção ao meio ambiente. As vantagens são muitas, tanto para os beneficiários dos projetos, quanto para os voluntários.  Além do sentimento de ajudar quem necessita e de colaborar para a transformação social, ser voluntário fora do Brasil traz muitos benefícios, entre eles, a possibilidade de conhecer novas culturas e novos costumes, o aprendizado de um idioma e a criação de novas relações sociais, sejam elas profissionais ou pessoais. No caso de famílias expatriadas ou em transição, as vantagens vão além: o voluntariado pode ser um grande aliado no processo de adaptação à vida em um novo país. Foi o que aconteceu com a Karla Machado, mineira de Belo Horizonte que mora no México há treze anos. “Quando a gente chega no México, como expatriada, a gente tem muito tempo ocioso, né? E, logo que eu cheguei, eu fui apresentada um grupo de brasileiras que já faziam um trabalho voluntário na Abrame, que significa Amigas Brasil-México. Esse grupo realizava encontros para arrecadar dinheiro, produtos de limpeza e alimentos para abrigos que necessitavam de assistência. Além de fazer voluntariado, esses encontros são uma forma para a gente se enturmar e de receber dicas sobre o novo país, como informações sobre médicos e serviços, por exemplo”, afirma. Os anos foram passando, e Karla começou a se envolver ainda mais nos projetos, assumindo novas funções a cada ano. Hoje, ela é coordenadora da Abrame, organização que atualmente direciona o trabalho para dois abrigos: um para pessoas idosas e outro para crianças e jovens em situação de pobreza que foram afastados das famílias por questões de violência e abuso. “A Casa Hogar San Francisco, que fica em Toluca, no Estado do México, era um lugar muito precário, sem armários nem camas para as crianças dormirem. Além disso, elas não tinham como levar merenda para a escola. Com o trabalho das nossas voluntárias, conseguimos fazer reformas na casa e organizar doações de alimentos, que são realizadas mensalmente. Eu fico muito feliz porque algumas das crianças que nós conhecemos aos 8 anos de idade já estão na universidade”, conta Karla. Já o trabalho no Asilo Emanuel, localizado em Coacalco, também no Estado de México, começou há dez anos. Atualmente, vinte homens e mulheres vivem no lugar, que necessita de reformas urgentes. “Sempre ajudamos com doações de dinheiro, alimentos e produtos de higiene. Agora, vamos apoiar na reforma do asilo. Uma brasileira que é arquiteta está fazendo o projeto sem custo e nós vamos levantar os recursos para as obras”, diz a coordenadora da Abrame. Famílias brasileiras apoiam fundação para crianças com câncer Outra organização que recebe o apoio de famílias voluntárias brasileiras no México é a Fundación Mark, criada há 16 anos pela mexicana Sonia Zuani. A fundação leva o nome do seu filho, diagnosticado com leucemia, aos seis anos de idade. “Inicialmente o tratamento do Mark foi em um hospital público do México e, infelizmente, eles não cuidavam da parte emocional das crianças internadas. Eles não permitiam que elas levassem jogos e não havia espaços lúdicos de atividades direcionadas para elas. A fundação foi um sonho do meu filho, que quis criar um lugar para que crianças,como ele, pudessem brincar e se divertir. Ela foi constituída no mesmo dia em que ele faleceu. Esse foi o seu legado”, diz Sonia. Atualmente a Fundación Mark possui sete brinquedotecas em hospitais públicos que tratam de crianças e adolescentes com câncer. Quatro deles estão na Cidade do México. Os outros estão em Toluca, no Estado do México, em Villahermosa, capital do estado de Tabasco, e La Paz, que fica no estado de Baja Califórnia Sul. Nesses espaços, além das crianças poderem brincar com os jogos e brinquedos, são oferecidas atividades físicas, pedagógicas e cursos de bem-estar emocional para as famílias e profissionais de saúde. “Temos o apoio de muitas empresas, mas o voluntariado para a nossa fundação é indispensável. Nesse sentido, eu posso dizer que metade da nossa bandeira é brasileira, porque as famílias brasileiras nos apoiam muito, não apenas com doações de brinquedos, roupas e alimentos, mas na organização de eventos e, principalmente, na mobilização para novos voluntários”, afirma a presidente e fundadora da Fundación Mark. As paulistanas Ellen Negrão e Desyrre Beber estão entre essas famílias. Ambas vivem no México há cerca de dez anos. “Eu conheci a Fundación Mark através da minha cunhada, que é mexicana. E na festa de seis anos da minha filha nós doamos todos os presentes que ela ganhou para as brinquedotecas. Foi assim que eu comecei a me envolver. Hoje, graças ao voluntariado, eu tenho contato com realidades que eu não tinha no Brasil, e ajudo a uma causa importante. Além disso, quando eu cheguei, ajudou a ocupar meu tempo e a criar amigos e oportunidades”, salienta Desyrre. Ellen foi uma das convidadas da festa. Hoje ela é uma das principais mobilizadoras do grupo formado por cerca de 40 brasileiras que apoiam a fundação, com doações de brinquedos no Natal, realização de festas, quermesses e venda de produtos. Em maio deste ano, por exemplo, a Fundación Mark recebeu a doação de milhares de cápsulas de café expresso. Em apenas um dia, as brasileiras venderam cerca de cinco mil. “Eu sempre trabalhei como voluntária, desde a minha adolescência no Brasil. E quando eu cheguei ao México eu conheci a fundação e me encantei pelo trabalho da Sonia. Fiz curso nos hospitais para trabalhar nas brinquedotecas e me orgulho muito do que já fizemos. Mobilizamos muitas famílias e empresários brasileiros para a causa. Infelizmente com a pandemia os eventos foram suspensos, mas este ano, voltaremos com uma grande festa para os adolescentes. Pra mim, o mais importante, também, é poder passar essa mensagem para os meus filhos”, diz Ellen. Voluntariado para o mercado de trabalho Além de ajudar na adaptação das pessoas que vivem fora do Brasil e de ter uma função social importante, o trabalho voluntário é um caminho, também, para brasileiros que buscam recolocação profissional no exterior. Segundo Carolina Porto, que trabalha como consultora e voluntária da ONG Families in Global Transition, que oferece apoio às famílias em transição, o voluntariado é um primeiro passo para a criação da sua rede de relacionamento profissional. “A principal ferramenta para alguém que está mudando de um país para outro é criar uma rede de relacionamentos para se adaptar melhor. E se você tem o objetivo de buscar um trabalho, uma posição de voluntariado pode te ajudar bastante nisso porque, provavelmente, você vai conhecer pessoas com interesses em comum aos seus. Ou, também, pode ser a oportunidade de você aprender alguma coisa nova. Você estará fazendo o bem para o próximo e para você mesmo”, explica ela. Além disso, segundo Carolina, é preciso, primeiro, entender a cultura de voluntariado do país onde você vai viver. “O voluntariado é visto de maneira diferente em cada país. Na Holanda, por exemplo, quase 80% da população realiza algum tipo de trabalho voluntário e isso é muito bem visto pelas empresas. As vagas de voluntariado, inclusive, são anunciadas nas mesmas plataformas usadas para o trabalho remunerado. Já no México, onde eu morei, eu não tive essa perceção. Mesmo que eu estivesse trabalhando para uma organização internacional, se eu não tinha salário, muitos não consideravam trabalho”, conclui a consultora brasileira.
    6/11/2022
    5:18
  • Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires homenageia 100 anos da Semana de 22
    Com a série de eventos "Antropofagia Revisitada", o Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (Malba) presta homenagem ao centenário da chamada Semana de 22, que marcou o começo do modernismo brasileiro. O movimento influenciou a arte em toda a América Latina, passando pela Bossa Nova, pelo Tropicalismo e até o Rock Brasil, que completa 40 anos.  Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Até a próxima semana, o Malba mantém uma visita guiada pelas 15 peças modernistas de artistas brasileiros que fazem parte da coleção do local, que conta com obras de Tarsila do Amaral, Lígia Clark, Di Cavalcanti, Portinari, Hélio Oiticica, entre outros.  Em sintonia com o centenário da emblemática Semana de 22, o museu argentino e a Embaixada do Brasil em Buenos Aires organizaram uma série de atividades, presenciais e virtuais, com artistas e acadêmicos, brasileiros e argentinos, sob o conceito de "Antropofagia Revisitada" que incluiu mesas redondas e apresentações. Macunaíma, de Mário de Andrade, ganhou uma nova tradução em espanhol. Os debates puseram a lupa sobre as temáticas em voga na época, Mulheres, Negros e Índios no modernismo brasileiro. Se Tarsila do Amaral propunha "devorar" a arte europeia com o seu quadro do "homem que come gente", o Malba inaugurou o Café Tarsila, onde uma parte do Abaporu foi transformado em biscoito e pode ser devorado. Influência brasileira Por alguns instantes, o Malba desta semana de 2022 remetia ao Theatro Municipal de São Paulo, palco daquela semana de 1922. Aquele Brasil de cem anos atrás também completava o seu primeiro centenário de independência e requeria identidade própria. O modernismo brasileiro propunha devorar a arte europeia não para copiá-la nem para se submeter a ela, mas para transformá-la em brasileira, com elementos próprios daquela nova nação. Ao longo das décadas seguintes, o modernismo contribuiria para uma identidade de vanguarda através pintura, da escultura, da poesia, da arquitetura, da literatura e da música. Diego Murphy, responsável pelo passeio através das obras brasileiras, explica que a Semana de 22 catalisou o que acontecia de forma generalizada pela América Latina, tornando o movimento brasileiro a referência que influenciaria a arte em toda a região. "No começo do século 20, os países da região discutiam qual era a sua identidade. Vários olhavam para a Europa, mas alguns começaram a olhar para dentro de si. Enquanto no resto da América Latina as discussões aconteciam de forma individual, caótica e pouco clara, no Brasil, aconteceram de forma muita clara e contundente. E isso começa a se irradiar do Brasil a toda a América Latina", explica Diego Murphy à RFI. Naqueles anos 1920, dois movimentos ecoavam pela América Latina: a "Antropofagia brasileira" e o "Muralismo mexicano" que tinha uma conotação mais política, após a Revolução Mexicana. "O Muralismo mexicano é muito forte e se irradia pela América Central, mas também nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, havia muita resistência a esse movimento tão político. A Antropofagia brasileira, em contraposição à Europa, tem muita influência na região, mas, sobretudo, na América do Sul, especialmente no Chile e na Argentina. Não chega a surgir um movimento, mas surgiram individualidades que geraram frutos interessantíssimos na arte", compara Murphy. A curadora chefe do Malba, Maria Amalia García, conta que os vanguardistas argentinos se espelhavam nos brasileiros. "Durante os anos 1920, tudo o que aconteceu na Semana de 22 do Brasil teve impacto na Argentina. Os modernistas argentinos observavam com atenção o que acontecia no Brasil. Os intelectuais e os artistas argentinos tiveram um vínculo fluído com o Brasil e com todas essas publicações e núcleos vinculados também com a vanguarda local", aponta Maria Amalia García à RFI. Abaporu em Buenos Aires O ponto de ebulição da Semana de 22 aconteceu em 1928, quando Tarsila do Amaral pintou um quadro como presente de aniversário ao marido, o poeta e escritor Oswald de Andrade, um dos líderes do movimento modernista. A imagem de um gigante sem boca que devora através da reflexão, com pés e mãos grandes sobre a terra e com as cores da bandeira brasileira em composição, foi a melhora tradução do conceito antropofágico que devorou a arte europeia para transformá-la em brasileira. Nascia assim o "Abaporu" (homem que come gente, em tupi-guarani) e inaugurava-se o canibalismo tropical. O ícone do modernismo brasileiro repousa há 21 anos no Malba. O casal Dorival Neto e Átina Rocha, os dois de Marcionílio Souza, interior da Bahia, estudantes de Medicina em Buenos Aires, tiveram o primeiro contato com o Abaporu neste centenário da Semana de 22. "Como alguém que veio do interior é a primeira vez que tenho contato pessoal com essas obras. E é irônico que seja em outro país. Muitas dessas obras com as quais eu só tive contato através de imagens nos livros ou em estudos para o vestibular, pude ver agora em Buenos Aires. Foi uma experiência muito boa", ressalta Dorival à RFI. "Apesar de não estar em casa, o Abaporu está num lugar que se tornou o seu lar. Está bem contemplado, como deve ser. Fico com uma certa inveja por esta obra não estar no Brasil, mas, ao mesmo tempo, fico orgulhosa porque está bem cuidada. Está num lugar que abraçou a nossa cultura e que fez dela também um pouco sua. Aqui você se sente em casa e isso é muito legal", reflete Átina, após a visita guiada. A visita pelas obras brasileiras chega ao final dos anos 1960, quando o canibalismo cultural já não é mais com a Europa, mas com os Estados Unidos, consequência do pós-Segunda Guerra Mundial. Nesta época, aparecem o concretismo e a Pop Art. Identidade brasileira na música Outra diferença que permitiu o modernismo brasileiro se tornar referência foi a conjugação de diversas disciplinas artísticas num mesmo movimento. Pintores, escultores, poetas, escritores, arquitetos e músicos giraram em torno de um conceito. "Essa conjunção é muito importante. O Brasil tem essa grande vantagem: uma comunhão entre artistas interdisciplinares. Nos outros países, isso não acontece", observa Diego Murphy.  "Há outra característica brasileira, diferente do resto da América Latina: a música. É central para a identidade brasileira", indica. O conceito antropofágico de devorar influências de fora para transformar numa arte brasileira incluiu a Bossa Nova, o Tropicalismo e até mesmo o Rock Brasil. A Bossa Nova era o samba moderno sob influência do jazz. Tom Jobim exaltava a influência nas suas composições de Heitor Villa-Lobos, integrante da Semana de 22. O Tropicalismo, sob influência do rock e do concretismo pós-moderno, também influenciou o rock brasileiro. Foi há exatamente 40 anos que uma música jovem irrompeu com elementos do modernismo e do pós-modernismo. A Pop Art aparecia nas capas dos discos e nos figurinos. A estética abusava das cores vivas, de identidade tropical. As letras contavam com diálogos teatrais de estilo jocoso e com um jogo de palavras sob influência do concretismo.  Nascia no Circo Voador, no verão carioca de 1982, a Blitz, o primeiro grupo que abriria as portas das gravadoras para a explosão do denominado Rock Brasil durante os anos 1980. "O Brasil tem essa grande diferença: gente agrupada com um objetivo em comum. Nada de individualidades perdidas, mas um movimento forte numa direção. Essa é justamente uma característica da vanguarda", conclui Diego Murphy.
    2/19/2022
    7:49
  • Treinadora de golfinhos brasileira acredita que interação entre animais e público favorece preservação
    Aos 8 anos de idade, Cinthya Coutinho foi pela primeira vez a um parque aquático. Aquele momento despertou na brasileira o sonho de trabalhar com golfinhos, baleias orcas e outros cetáceos. Ela chegou a estudar veterinária, mas decidiu que biologia marinha seria o melhor caminho para chegar à meta. Também percebeu que precisaria morar fora do Brasil para trabalhar com o que sempre quis. Ainda na faculdade, ela foi preparando o terreno, fazendo contatos para consolidar a almejada carreira. Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela Cinthya conta que o começo da carreira foi bem difícil. "Quando cheguei nos Estados Unidos, fiz um trabalho voluntário no zoológico e depois entrei como estagiária no aquário. Vida de estagiário não é fácil. E aqui não é diferente", recorda. O estágio da brasileira incluía lavar, limpar, preparar os peixes para alimentação e monitorar os golfinhos. Mas ela conseguiu uma vaga e ficou satisfeita. No início, foi treinadora aprendiz até conquistar, etapa por etapa, o posto de treinadora sênior.  É no Miami Seaquarium, um dos parques aquáticos mais visitados da Flórida, que Cinthya trabalha. Ela vive seu sonho de infância, mas reconhece que o cotidiano como treinadora é exigente e a dedicação, praticamente integral.  “O que ninguém sabe é que a gente tem que estar no parque 24 horas por dia quando nasce um bebê. A gente não tem feriado, nem sábado e domingo, Natal ou Ano-Novo. A gente tem que trabalhar!", destaca. Mesmo tendo uma filha, Cinthya conta que há dias em que precisa trabalhar até a madrugada. "Tem vezes que eu trabalho 16 horas por dia, e as pessoas que estão do lado de fora não sabem disso. As pessoas só veem que a gente vai para o trabalho e que brincamos com os golfinhos.” A rotina no parque começa bem cedinho, com o preparo da comida dos animais e com a limpeza dos tanques e piscinas. Além, claro, dos treinos e ensaios diários para que profissionais e bichos façam bonito na hora do show. Pela regra, é preciso que sempre um treinador esteja de plantão no parque. Para este profissional, não há sábado, domingo ou feriados. A vida agitada é amenizada pelo contato diário com os animais. A brasileira cuida e treina golfinhos-nariz-de-garrafa, focas, leões marinhos e também uma baleia. O aquário onde Cinthya trabalha também abriga tubarões, tartarugas marinhas, aves, répteis e peixes-boi. De cara com a orca Para a brasileira, é um prazer interagir com os bichos. “A maior alegria que eu tenho é ver a carinha de cada um dos animais, passar o dia com eles, ver o reconhecimento deles e a relação que você cria, o convívio do dia a dia", avalia. "Você ensinar algo para eles, treinar algo que ajude na saúde deles... A relação com os animais é a melhor parte do trabalho”, declara. Em 2010, uma experiente treinadora morreu após ser atacada pela orca Tilikum, no parque SeaWorld. Batizada com o nome da famosa personagem do escritor Vladimir Nabokov (1899-1977), Lolita é a mais antiga orca cativa do mundo e atualmente a única do parque onde Cinthya trabalha. O show deste animal de quase seis metros de comprimento e de mais de três toneladas de peso é a atração mais esperada do aquário. Mesmo lidando diariamente com um superpredador, como é o caso de Lolita, Cinthya garante não ter medo. “No meu aquário nunca aconteceu nenhum acidente. Claro, trabalhando com animal é tudo sempre imprevisível. Os treinadores conhecem os animais muito bem. Mas, como eu digo, qualquer bicho tem boca pode morder. Isso faz parte do trabalho”, resume.     Conexão com animais A treinadora explica que nesta carreira o prazer pela interação com os bichos é o que prevalece. “A gente começa ganhando mal nessa profissão. É um trabalho que não se faz pelo dinheiro. É por amor! Para os outros departamentos e para os CEOs dos parques, eles não são tão focados nos animais. Para eles é um negócio. Mas para quem está ali todos os dias, e cuidando dos animais, é por amor”, enfatiza. Parece complexo ensinar animais aquáticos a interagirem com humanos, mas a treinadora garante que a tarefa é fácil. “Treinar golfinhos é o mesmo que treinar qualquer animal. Hoje em dia não se trabalha mais com punição e sim com reforço positivo. A gente só chama a atenção para aquilo que se quer e ignoramos o que é feito e a gente não quer. Se o golfinho fizer alguma coisa que vai chegar ao ponto do que quero, eu soo meu apito e ele ganha um peixinho. Tudo o que ele fizer e você não gostar, é ignorado.” Após anos de estudos e prática, Cinthya chegou à categoria sênior dos demais treinadores. O tempo também a ajudou a consolidar uma relação de cumplicidade com os animais.  “A gente se comunica por sinais e por gestos. Cada coisa que a gente treina tem um gesto diferente. Mas dependendo da relação que se tem com o animal, dá para se comunicar pelo olhar, toques, brincadeiras... Às vezes eu olho para o meu golfinho e ele já sabe o que eu quero. É bem mágico trabalhar com eles”, diz encantada.   Embora os cetáceos e mamíferos do parque sejam animais com longa expectativa de vida, para Cinthya o mais difícil da profissão é quando um dos bichos morre.  “Estou trabalhando de novo com os golfinhos. Eu já trabalhei com foca, com leão marinho e é muito complicado quando a gente perde um animal, você perde um dos seus, essa é a parte mais complicada da profissão”, pontua. Críticas dos defensores de animais Além das centenas de pessoas que visitam diariamente o parque, ativistas de direitos dos animais costumam protestar nas imediações do local pedindo a libertação dos residentes do Miami Seaquarium. Lolita, a orca e principal atração, foi protagonista de um documentário no qual ativistas pedem que ela seja reintroduzida na natureza. Eles afirmam que ela recebe treinamentos cruéis. Mesmo com tantos cuidados e a intensa dedicação aos animais, Cinthya vez ou outra recebe críticas, as quais rebate.  “As pessoas julgam muito essa profissão dizendo que os animais não deveriam estar sob cuidados de humanos e que o bicho não deveria morar em uma piscina. Eu até entendo. Não deveriam tirar um bicho da natureza para colocar em parque para entreter humanos. Mas esses animais são todos nascidos lá (no aquário). Eu digo: eles não saberiam viver na natureza. A interação humana é o que eles sabem. Eles buscam a atenção humana. São totalmente diferentes dos animais que estão na natureza. As coisas na natureza também não estão nada bem. Acho que tendo esses animais para o público ajuda na preservação, afinal as pessoas só cuidam do que conhecem. Conhecer esses animais é fundamental para proteger a natureza.” No dia 12 de setembro passado, cerca de 1.400 golfinhos-de-cara-branca foram mortos nas Ilhas Faroe, território autônomo do Reino da Dinamarca, sob a alegação das autoridades locais que a matança fazia parte da tradição local. A ação foi duramente criticada por defensores dos animais, que denunciaram a forma como o cruel abate foi orquestrado.  Na opinião da brasileira, a matança de centenas desses animais, que estão “sob ameaça”, demonstra que nem na natureza os bichos estão a salvo. “Eu recebo muitas críticas com o que trabalho. Mas ninguém olha para a realidade do mundo. Eles (os críticos) não têm ideia de quão bem tratados são nos nossos animais”, conclui.
    9/26/2021
    8:34
  • Como o Reino do Brasil ajudou na Independência da Argentina e do Chile há 200 anos
    Em 1821, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi o primeiro a reconhecer a Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina, e também do Chile. O reconhecimento internacional era um aval fundamental para que os novos países pudessem consolidar o processo de libertação. Porém, mais do que Portugal, o projeto de reconhecimento dos novos vizinhos era um interesse do Reino do Brasil. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires O crucial reconhecimento das independências da Argentina e do Chile está completando 200 anos, tendo os dois vizinhos o mesmo patrocinador desse passo que abriu o caminho para a legitimação internacional do processo: o então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Mas, dos três reinos, foi o do Brasil o grande interessado e impulsor da decisão. "O reconhecimento da Independência por parte do Reino de Portugal e do Brasil abriu um caminho importante para outros reconhecimentos posteriores. Foi o primeiro passo", indica à RFI o historiador Roberto Azaretto, apontando o exemplo seguido pelos Estados Unidos em 1822 e pela Grã-Bretanha em 1825. Posteriormente, será a Argentina a primeira a também reconhecer a Independência do Reino do Brasil e a formação do novo Império.  "O passo que o Reino de Portugal e do Brasil deram foi importante para a consolidação do processo de Independência porque foi o primeiro de um reino importante com influência no Rio da Prata e na Europa. Teve um efeito político forte", acrescenta à RFI o historiador Guillermo Cao. Os dois novos países tinham declarado as suas Independências anos antes num frágil processo que requeria de legitimação internacional para evitar uma reconquista por parte da Espanha. No caso do Chile, a Espanha chegou mesmo a reconquistar o território por um breve período. Já as Províncias Unidas do Rio da Prata ou Províncias Unidas do Sul, a situação não era menos frágil. Em 1820, disputas de poder entre as províncias no Rio da Prata tinham levado a região a uma guerra civil. O Governo de Buenos Aires tinha a representação das Relações Exteriores, mas disputava o poder com as demais províncias. O reconhecimento, portanto, teve um efeito internacional, mas também interno, ajudando a consolidar o poder de Buenos Aires. O nome Argentina surgiria, como alternativa, seis anos depois, mas só se consolidaria 50 anos depois. Presença no Brasil permitia proximidade O Brasil tinha sido elevado à categoria de Reino em 1815. Possuía bandeira e armas próprias. O Rio de Janeiro era a capital do Império, de onde o Rei D. João VI percebia que os movimentos de Independência na vizinhança eram irreversíveis. A Revolução Liberal do Porto, em 1820, exigia a volta do Rei a Portugal e o estabelecimento de uma monarquia constitucional. Antes de partir, D. João VI preparou o terreno para os interesses do Brasil na região. "A Casa de Bragança no Rio de Janeiro percebeu a importância do processo que acontecia no Rio da Prata. Era uma Corte europeia, mas, ao estar no Rio de Janeiro, tinha uma percepção mais próxima do que acontecia no continente. O Reino Unido de Portugal e Brasil viu que o processo de Independência era irreversível e que precisava inserir o Brasil na América, vincular-se com os países que estavam surgindo. Precisavam que o Brasil, já incorporado ao Reino, se vinculasse com essa nova geografia política que surgia", explica Roberto Azaretto. No dia 26 de abril de 1821, o Rei D. João VI retornou a Portugal, depois de 13 anos no Brasil. Dez dias antes, o então ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, Silvestre Pinheiro Ferreira, escreveu uma carta, por parte do Rei, na qual reconhecia a Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata. Na carta, Pinheiro Ferreira anuncia que "Sua Majestade Fidelíssima não hesitará em reconhecer a independência dos Estados vizinhos ao Reino do Brasil que forem estabelecidos, instalados e obedecidos pelos seus respectivos povos". "O Rei sempre quis manter relações estreitas com os povos vizinhos ao Reino do Brasil", escreveu o ministro português, destacando que "as Províncias de Buenos Aires ocupavam, incontestavelmente, o primeiro lugar". A carta foi entregue no Rio de Janeiro ao então designado cônsul agente mercantil em Buenos Aires, o comerciante português João Manuel de Figueiredo. No dia 28 de julho de 1821, Figueiredo apresentou-se em Buenos Aires ao então ministro de Governo e Relações Exteriores, Bernardino Rivadavia, que, em 1826, seria o primeiro presidente constitucional das Províncias Unidas do Rio da Prata. A carta de "Reconhecimento da Independência por parte de Sua Majestade Fidelíssima o Rei de Portugal D. João VI" causou comoção naquela Buenos Aires de 50 mil pessoas, das quais 8,5% eram portugueses, muitos vindos do Reino do Brasil. Duas semanas depois, no dia 11 de agosto de 1821, Figueiredo também entregaria o reconhecimento ao representante diplomático do Chile. Projeto brasileiro Para o historiador argentino, Guillermo Cao, embora essa seja uma história administrada pela Corte portuguesa, o reconhecimento da Independência era um projeto brasileiro. A província Cisplatina, atual Uruguai, tinha sido ocupada pelas tropas luso-brasileiras entre 1817 e 1820. Com a partida de D. João VI a Portugal, o conflito precisava ser resolvido pelo Reino do Brasil. "Os Reinos de Portugal e do Brasil unidos foram os primeiros a reconhecerem a Independência da atual Argentina, mas o interesse foi mais pelo lado do Reino do Brasil do que pelo lado do Reino de Portugal. Esse reconhecimento é mais um projeto brasileiro devido a sua necessidade de expansão territorial, especialmente sobre o atual Uruguai", aponta Guillermo Cao. "O reconhecimento da Independência da Argentina obedece a uma pressão da elite brasileira ao redor de Pedro que queria consolidar um domínio sobre o estuário do Rio da Prata e era preciso resolver esse conflito", sublinha. Influência na Independência do Brasil Para o historiador Roberto Azaretto, esses reconhecimentos das Independências de Argentina e Chile terão influência um ano depois na Independência do próprio Brasil. Até então, como reino independente e única monarquia no continente americano, o processo brasileiro era diferente do vivido pela América hispânica. Porém, em 1822, quando D. João VI quis recuar o Reino do Brasil ao anterior status de colônia, os exemplos de Independência na região ajudaram a elite brasileira a articular um movimento com Pedro, quem, no dia 12 de outubro de 1822, tornou-se D. Pedro I, o Imperador do Brasil Foi a aclamação de D. Pedro I como imperador -e não "o grito da Independência" de 7 de setembro- a ruptura formal com Portugal. "Sem dúvida, os brasileiros que estavam no Reino do Brasil foram influenciados por esses processos de Independência na atual Argentina e no Chile. Era mais um elemento que provava ser possível declarar a Independência. Além do mais, os brasileiros já tinham consciência do que representavam: um imenso território com riquezas", compara Roberto Azaretto. O histórico mandato de João Manuel de Figueiredo Ainda naqueles dias de 200 anos atrás, João Manuel de Figueiredo, quem veio do Rio de Janeiro para ser cônsul em Buenos Aires, faleceu repentinamente no dia 21 de agosto de 1821, apenas dez dias depois de formalizar o reconhecimento à Independência do Chile. O seu mandato como cônsul, portanto, durou apenas três semanas. No dia 29 de julho, dia seguinte ao reconhecimento da Independência da Argentina, Figueiredo participou do funeral do General Manuel Belgrano, autor da bandeira argentina e quem, em conjunto com o general San Martín, é o máximo herói da Independência de 1816. No dia 12 de agosto, participou na inauguração da Universidade de Buenos Aires. Nove dias depois, morreu de forma repentina na sua casa, a 300 metros do convento de Santo Domingo, onde permanece sepultado, justamente ao lado do general Manuel Belgrano. "É incrível o que ele fez a partir de 28 de julho de 1821, após a sua apresentação formal de credenciais. Em apenas três semanas, passou à história e, com isso, à imortalidade", ressalta o historiador Guillermo Cao.   Retribuição argentina Outra prova de que o reconhecimento das Independências dos novos países era mais um projeto brasileiro do que português é a continuação desta história. Em maio de 1822, quem assumiu o cargo vago pelo óbito de João Manuel de Figueiredo foi Antonio Manuel Correa da Câmara, enviado do Rio de Janeiro para representar o Reino do Brasil em Buenos Aires -já não o Reino de Portugal. As credenciais foram apresentadas ao mesmo ministro das Relações Exteriores, Bernardino Rivadavia, em 1º de agosto de 1822. No ano seguinte, em junho de 1823, será o ministro Rivadavia quem vai oficializar o reconhecimento das Províncias Unidas do Rio da Prata à Independência do Brasil, mas essa será uma história a ser contada dentro de dois anos, no bicentenário do primeiro reconhecimento internacional ao Império do Brasil.
    8/7/2021
    4:51

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